Módulo 1

Políticas Inclusivas e Medidas Educativas para Alunos com NEE

Semanas 2 e 3 – de 7 abril a 20 abril 2014

O primeiro módulo tem como finalidade abordar quadros internacionais, europeus e nacionais sobre a inclusão das pessoas com deficiência e as medidas educativas para os alunos com necessidades educativas especiais em Portugal. Texto introdutório - ler



Recursos módulo 1


  1. Apresentação (Prezi)
  2. Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência
  3. Relatório Mundial sobre Deficiência
  4. Declaração de Salamanca
  5. D.L. nº 3/2008, 7 janeiro
  6. Publicações da Agência Europeia para as Necessidades Especiais e Educação Inclusiva
  7. Webinar DGE - Unidades Especializadas (Multideficiência e Autismo)
  8. Webinar DGE - Escolas de Referência (Alunos Cegos/BV e Surdos)
  9. Webinar DGE - Uma cultura de Inclusão (AE Pinheiro e Rosa)
  10. Publicações MEC

Recursos adicionais em agregadores

  1. Pinterest (Educação Especial) 
  2. Livebinders (Deficiência)

 

Atividades comuns  

  1. Ler e explorar os recursos.
  2. Publicar, pelo menos, um comentário individual sobre a temática deste módulo no espaço de comentários desta página.
Questão para estimular a discussão: Da sua experiência pessoal e/ou profissional de contacto com crianças, jovens ou adultos com incapacidade e/ou deficiência que barreiras lhe parecem mais evidentes persistirem?

(Agradecimento à Prof.ª Manuela Sanches Ferreira do Instituto Politécnico do Porto)

Atividade individual ou de grupo (obrigatória para efeitos de certificação)

Escolha uma das seguintes alternativas de atividades que poderá realizar individualmente ou em grupo:
  1. Selecione um documento de referência, constante dos recursos deste módulo (publicações do MEC ou da Agência Europeia), sintetize os principais aspetos e elabore com eles um esquema. Para a concretização do mesmo poderá utilizar qualquer ferramenta de apresentação ou um mapa de conceitos (Bubbl.usMindomoMindMeisterMind42Xmind; …veja no guião do curso em ferramentas e demos). Disponibilize o endereço eletrónico (URL) na área de registo da atividade 1. Independentemente da alternativa que escolheu (individual ou em grupo) registe a atividade no seu e-portefólio individual.
  2. Elabore uma linha cronológica sobre os modelos e evolução das perspetivas sobre deficiência. Poderá utilizar qualquer ferramenta de timeline (Tiki-Toki, Dipity,Timeglider...veja no guião do curso em ferramentas e demos). Disponibilize endereço eletrónico (URL) na área de registo da atividade 1. Independentemente da alternativa que escolheu (individual ou em grupo) registe a atividade no seu e-portefólio individual.
  3. Produza uma apresentação sobre aspetos das políticas de inclusão e medidas educativas. Poderá utilizar qualquer ferramenta de apresentação (PreziSlideshareKnovioThinglink…veja no guião do curso em ferramentas e demos). Disponibilize o endereço eletrónico (URL) na área de registo da atividade 1. Independentemente da alternativa que escolheu (individual ou em grupo) registe a atividade no seu e-portefólio individual.

Dúvidas

Verifique em primeiro lugar, se a sua dúvida não está respondida nas FAQ que se encontram em «Ajuda».
Cada módulo incluirá uma área de comentários, no final da página, onde deverão ser colocadas mensagens e contributos para a discussão do tema do módulo.
Dúvidas específicas sobre as atividades serão respondidas na área de registo da atividade 1, em «Está a acontecer».

Contactos dos facilitadores

Ida Brandão
Paulo Gomes Nunes
Sílvia Santinho Canha 

400 comentários:

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Isabel Moura disse...

Boa noite,

Como ainda não consegui constituir grupo de trabalho, agradeço que me informem se ainda o posso fazer durante o decorrer deste móadulo.

MOOC INCTEC disse...

Olá Isabel. Sim, claro que pode :) Caso queira efetuar a segunda atividade na modalidade de grupo, tem estes 15 dias para a concretizar e "formar equipa". Boa sorte!

Ana Paula Rocha disse...

Boa tarde

venho relembrar que solicitei a alteração do portefólio, inicialmente enviado, que consta aqui: https://www.blendspace.com/lessons/qBJ3GqbVwnNn0g/e-portefolios-mooc-inctec2014, por este link que será o PORTEFÓLIO que irei utilizar: http://aproch9.wix.com/mooc-ana-paula-rocha
Assim agradecia a troca do link do anterior por este que foi concebido para o MOOC INCTEC. Obrigada desde já.

MOOC INCTEC disse...

Olá Ana Paula

Fui verificar e o endereço já foi alterado no questionário de registo do e-portefólio, pode usar o novo link para colocar as atividades do curso.

Ana Paula Rocha disse...

Comentário sobre a temática:

As barreiras atitudinais, talvez sejam, no meu entender, as que persistem para além de todas as medidas inclusivas que têm sido decretadas. Surgem à margem de um enorme esforço da parte das escolas públicas, para envolverem os alunos que apresentam necessidades educativas especiais (n.e.e). Não são as únicas barreiras, mas tendem a perdurar.
Assim, os estigmas e a marginalização dos alunos com n.e.e, parecem refletir um processo socialmente construído que causa entraves à aceitação do que é diferente e que é uma marca de contemporaneidade segundo a qual os outros são vistos segundo um sistema de valores, modelos e definições pessoais que são muito subjetivos, mas que tendem a excluir e não a incluir.

Elisabete Pinheiro disse...

Não tinha noção que estas leis eram tão recentes, o que acontecia a estas crianças antes da convenção?

Elisabete Pinheiro disse...

Não tinha noção que estas leis eram tão recentes, o que acontecia a estas crianças antes da convenção

Cristina Neto disse...

A Convenção é de 2007, mas em 1994 a Declaração de Salamanca é que veio impulsionar definitivamente o conceito de Escola Inclusiva. Em Portugal, a legislação mais antiga que promove a Escola Inclusiva era o decreto-lei 319 que era de 1991, anterior a Salamanca, portanto. Antes disso, as crianças eram institucionalizadas, separadas das outras crianças o que as impedia de progredir nas suas aprendizagens uma vez que tinham reduzido contacto com outra realidade que não fosse a de pessoas como elas.

Delfina Carlos disse...

Pela experiência que tenho tido, e não querendo generalizar (pois também há boas práticas de inclusão), para mim, a maior barreira que parece persistir é sem dúvida a barreira humana: atitudes, comportamento e ações de muitos agentes educativos, alguns até defendem a cultura de Inclusão, mas não a põem em prática.

Ora vejamos: há alunos que dado o seu perfil de funcionalidade dão redução de turma - 20 alunos no máximo (Despacho n.º 14026/2007) para que o professor possa ter condições para atender a criança/jovem com NEE. A maioria dos currículos destes alunos, prevê a frequência das disciplinas de carácter prático, como a educação física, visual, musical… com o grupo turma, ora muitos professores não estão preparados para lidar com tanta diversidade e acabam por criar barreiras à inclusão, alegando problemas comportamentais do aluno, que não conseguem dar atenção, dificuldade em diversificar estratégias, entre outras.

A legislação, que até é bem conseguida, acaba assim por beneficiar, não o aluno com NEE, mas turma e o professor…

Amélia Kobrock disse...

A minha experiência com alunos com necessidades educativas especiais iniciou-se na época da "Integração" em 2003. Ainda me lembro de ir a Lisboa ouvir o DR Gordon POrter falar sobre a " Inclusão". Na altura, a experiência do Canadá parecia o paraíso, com professores coadjuvantes nas salas e muitos meios para os meninos. Cá em Portugal começaram a falar da CIF e do empenho do ministério da saúde na sua implementação, que acabou por se como " a montanha pariu um rato". Acabou-se o 319 e veio 0 3/2008 de 7 de janeiro. Ainda há muitas duvidas e más interpretações. Colega Delfina, da experiência que tenho, só os alunos com adequações curriculares é que dão direito a redução de turma, nos termos do Despacho nº 14026/2007, dado necessitarem de apoio individualizado e estratégias diferenciadas. Na zona onde trabalho, os alunos com CEI, dado que frequentam poucas disciplinas ( as tais disciplinas com carácter mais prático) com a turma, não reduzem. A legislação é de 2007 e o Dec Lei 3 é de 2008. Nunca mais se lembraram de rever isso e especificar as condições de redução. Qual será a melhor maneira?
Sem duvida que concordo consigo na questão das barreiras; as humanas são as mais difíceis de vencer e é complicado e desgastante defender o que está consagrado por lei. Por muita formação que se faça, há sempre resistências à permanência dos nossos meninos no seio das turmas, mesmo que tenham redução e apoio de educação especial. E sinto que com a conjuntura politica atual, há mais colegas por reticencias aos gastos feitos em prol das crianças com NEE e da sua inclusão.

Leonor gonçalves disse...

Ola Boa Noite
A minha experiência é um pouco diferente ,não como docente ,mas como técnica num centro de reabilitação profissional ,onde temos vários cursos de formação profissional ,os nossos jovens com deficiência frequentam-no e depois fazem a formação pratica em contexto de trabalho.

A minha função é contactar as empresas para estes jovens fazerem a sua formação em contexto de trabalho,a aceitação por parte do nosso meio empresarial tem sido positiva.
No final o objectivo seria a integração destes jovens na Empresa com um contrato de trabalho,o que presentemente não tem sido possível devido a Conjuntura sócio económica que o nosso País atravessa.
Neste momento encontro-me a dar formação na Intervenção pedagogica para crianças com NEE ,em seguida Educação sexual para crianças com NEE e por ultimo Intervenção precoce em crianças com NEE.
É uma temática muito interessante .

Leonor gonçalves disse...

Trabalho nesta Instituiçao para crianças deficientes vai fazer 21 anos.

Delfina Carlos disse...

Colega Amélia,

consulte Despacho n.º 13170/2009, 4 junho ponto 5.4 “As turmas que integrem crianças e jovens com necessidades educativas especiais de carácter permanente, e cujo programa educativo individual assim o determine, são constituídas por 20 alunos, no máximo, não podendo incluir mais de 2 alunos nestas condições”.

José Fernando Rodrigues disse...

Boa noite!
A Lei de Bases de 1986 faz a primeira abertura para uma escola verdadeiramente para todos e em 1991 tomam-se as primeiras medidas concretas no sentido da inclusão embora estivéssemos ainda na integração. Aliás, não sei e tenho muitas dúvidas se estaremos já num ensino inclusivo em 2014. Mas, voltando no tempo, nas décadas de 70 e 80 fazem-se as primeiras experiências de um ensino integrado, pelo menos em parte, no mundo da deficiência visual. Os alunos cegos e com baixa visão faziam a primária e o que se designava por ciclo (os antigos 1 º e 2 º anos do ciclo preparatório) em instituições escolares especiais onde para além das aprendizagens escolares adquiriam as competências específicas para um aluno cego, por exemplo: o braille, as AVDs, a mobilidade, entre outras. O liceu era feito no ensino regular. Mas ao longo da década de 80 os discentes cegos, gradualmente, foram sendo integrados cada vez mais novinhos na escola regular e eram apoiados pelas equipas da educação especial que os acompanhavam e lhes tentavam dar tudo aquilo que eles necessitavam para ter sucesso educativo. A deficiência visual foi, sem dúvida, a primeira a lutar pela escola integrada e inclusiva. Desde os anos 50 que são conhecidos exemplos de cegos a frequentar todos os graus de ensino, incluindo o superior.

José Fernando Rodrigues disse...

Boa noite novamente!
Se me permitem, deixarei aqui um primeiro comentário geral sobre os temas que os colegas já trouxeram à liça. Muitas vezes dou por mim a refletir sobre a questão da inclusão, se se trata de uma realidade já alcançada ou se ainda é uma utopia. Se me permitem deixarei esta “dúvida existencial” para um post dedicado a este tema e entro agora no assunto da constituição de turmas e do peso de um PEI ou de um CEI para esta constituição.
Trabalho numa escola particular com contrato de associação onde cerca de 10% dos alunos têm NEE de caracter permanente. De todos eles onze têm CEI e, por acaso, há menos de dois anos tivemos uma inspeção bastante incisiva na questão da educação especial.
Pela minha experiência e pelos resultados e recomendações dessa inspeção, os alunos que conferem redução de turma são aqueles que passam mais tempo na turma, isto é, os discentes que não têm no seu PEI a alínea e) que lhes confere um CEI. Portanto, os alunos que normalmente têm as alíneas a), b) e d) têm toda a carga horária com os seus colegas e são esses os “interessantes” para a redução de turma. Os alunos que têm acoplado um CEI ao seu PEI têm uma carga horária reduzida no seio dos seus colegas pois têm disciplinas funcionais com o docente de educação especial ou, como acontece na minha escola, têm experiências pré profissionalizantes fora da escola.
As decisões têm sempre que ser tomadas de acordo com os interesses do aluno e a questão da constituição de turmas deve ser uma questão secundária. Mas, permitam-me colocar a questão nestes termos: o que é melhor para o aluno, estar dentro ou fora da turma?

Kar disse...

Olá Delfina!

Destacou um aspeto, a meu ver, fulcral: a barreira humana.
Da minha experiência, que também regista observações de (poucas) práticas inclusivas e (poucos) esforços conjuntos nesse sentido, tenho assistido, infelizmente, à implementação destes direitos, porque de direitos se trata e não como se lê no D.L. nº 3/2008, 7 janeiro "o aluno beneficia de...", como se de mais uma penosa burocracia se tratasse perante a desumanização permanente e relegação para último plano das crianças.
Há vários exemplos flagrantes.... Por exemplo, muitos agentes educativos que não sabem sequer qual a legislação em vigor e muito menos demonstram interesse por saber.... Ora, como poderão intervir se nem dominam o que lhes é pedido? Estarão preparados para integrar estas questões nas suas práticas letivas? Se não estão, então porque não buscam o conhecimento? Se não se ajudam a si próprios, como poderão ajudar as crianças?
Outros há que frequentam formações específicas apenas para "agradar" os seus avaliadores/coordenadores (entre outros) e onde está o retorno prático dessas formações que deveriam informar e enformar as suas práticas pedagógicas?
Talvez, atualmente, a minha visão seja bastante negra...

Carla Ferreira

Kar disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Leonor gonçalves disse...

Peço desculpa a todos que trabalham com alunos com NEE nas escolas.
Mas continuo a pensar que certo tipo de NEE deviam continuar nas escolas onde estavam antes inseridos (CERCI) devidamente preparadas ,com pessoal destacado com formaçao nessa área e que toda a vida trabalharam com esta populaçao.

Quando foi a altura de os integrarem nas escolas,"Escolas inclusivas" ,nós Onstituiçao que toda a vida trabalhamos com esta populaçao tivemos que acabar com a valencia da educacional ,as nossas colegas que trabalharam anos com estes meninos ,muitas ficaram no desemprego e estas crianças foram integradas em escolas que meu Deus metia dó ve-los ,como os cheguei a ver ,completamente perdidos , o pessoal auxiliar das escolas sem saber lidar com este tipo de populaçao.

Na minha opinião ,de uma pessoa que trabalha há quase 21 anos numa escola vocacionada para a deficiência e que temos desde deficiências moderadas e intelectuais ,achoq ue a escola inclusiva ate pode ser positiva por um lado ,mas nem em todas as NEE.

Kar disse...

Boa noite, José!

10% num universo de quantos alunos? Ter onze alunos com CEI, e embora desconheça os seus percursos escolares e sem colocar em questão a idoneidade da escola, parece-me demasiado uma vez que, de todas as medidas previstas, esta é seguramente a mais gravosa e que deve ser aplicada de forma muito residual e criteriosa, exigindo uma avaliação rigorosa do aluno que apresenta limitações graves do domínio cognitivo,considerando que apenas conduz à obtenção de um certificado de competências adquiridas para efeitos de admissão no mercado de trabalho.
Também já tive e tenho alunos com CEI e é uma questão de imensa responsabilidade, a ser tomada por vários agentes educativos, porque estamos a decidir o futuro deles, correndo o risco de o hipotecar, prejudicando o percurso de vida de alunos, que muito
dificilmente conseguirão retomar as aprendizagens do currículo comum.

Mas a questão que levanta é uma eterna questão... E mais uma vez, deverão prevalecer os interesses do aluno!

Carla Ferreira

Leonor gonçalves disse...

Quem nao viu tem que ver o programa de hoje do pos e contra.Tema Quem protege os mais frageis .A inclusao.

Elisabete Pinheiro disse...

ola,
Trabalho numa escola que é um ponto de referencia para alunos cegos e naturalmente tem muitos meninos com necessidades educativas especiais. Na sua diversidade de dificuldades são adaptadas medidas de acordo com o estabelecido previamente no PEI, na tentativa pelo menos de os tornar autonomos, isto claro falando já de alunos onde já integraram o curriculo especifico. O que me tenho apercebido é que esta legislação decreto 3, está se a tornar uma medida que os intervenientes tomam para minimizar um problema que tem como nome "desinteresse dos pais em ajudar os filhos a superar dificuldades, e desinteresse dos docentes em trabalhar os alunos", Integrar um aluno neste decreto tem as suas etapas, nao estou a por em causa o trabalho dos intervenientes como psicólogos que atestam a "deficiencia" dos alunos, mas por qualquer coisa um aluno é NEE.. O decreto 3 corta um pouco as pernas no percurso escolar dos alunos e tenho meninos que por exemplo estão a trabalhar na cozinha como medida integrada no PEI e que vai tornar a criança autonoma, mas nao estaremos a exagerar??? Estes meninos são dados como deficientes mesmo entrando no decreto 3 com a parte emocional, onde as medidas são pouco mais que apoio personalizado, e saem dos cofres do estado subsidios para estes fins... ou dos nossos cofres...
estarei a exagerar????

José Fernando Rodrigues disse...

Bom dia!
Começo por assinar, se me permite, três vezes concordando com o que escreveu. Um aluno com CEI é uma questão muito complicada em que uma má decisão pode tolher o futuro de um ser humano. Mas vou mostrar-lhe um pouco melhor a realidade da minha escola. Começo por lhe dizer que somos dois docentes de educação especial para 41 alunos com NEE entre os quais 11 têm CEI. Destes 11 jovens 4 estão em experiências pré profissionalizantes. Dos mesmos 11 3 chegaram este ano para o quinto ano. Todos eles foram referenciados no final do primeiro ciclo ou no segundo ciclo e os seus processos estão carregados de informações médicas, psicológicas e técnicas que justificam o CEI. A nossa política aqui na escola tem sido evitar ao máximo os CEI e esgotar todas as estratégias antes de referenciar um aluno para o "3". O problema é que esta zona tem uma comunidade educativa muito gastigada por problemas económicos, sociais e culturais e a verdade é que num universo de 400 alunos temos 41 NEEs.

José Fernando Rodrigues disse...

Olá!
Um programa feito num canal público de uma televisão pública que não respeitou as regras elementares da inclusão. Não teve audiodescrição nem linguagem gestual portuguesa. Quanto ao tema foi um pouco mais do mesmo, problemas velhos e poucas soluções. O que é grave é que mais de 25 anos depois de eu ter sido aluno ... alguns problemas mantêm-se. Destaco uma frase da Fátima Campos Ferreira que, referindo-se às questões da inclusão afirmou: «ficamos todos mal no retrato».

Bernardo Uhongo disse...

Boa tarde!
Queiro apresentar algumas razões que estão na base do insucesso da inclusão de aprendentes com NEE:
a) Falta de preparo e estratégias pedagógicas dos professores;
b) Falta de recursos e meios nas escolas;
c) Dificuldades no acompanhamento.

Atentamente!

Amélia Kobrock disse...

Bom dia!
O casos dos alunos com CEI é tratado de várias maneiras pelas diversas escolas. Acredito que as Equipas de Avaliação, ao remterem para a medida mais penalizante de todas, o faça com a consciência de que é o melhor para aquelas crianças. Sabe que às vezes dou por mim a pensar se não estará certo....Se não vejamos; os meninos com problemas moderados de aprendizagem, problemas emocionais graves e fatores ambientais penalizantes, vem para a escola desmotivados, cheios de agressividade, gostam da escola, mas não gostam das aulas e são obrigados a estudar matérias que não lhes dizem nada. A escola tem que arranjar respostas. Claro! Trabalho numa escola que tem tudo para ter sucesso, os professores são empenhados e sensiveis, o pessoal auxiliar é do melhor, mas não conseguimos descolar dos maus resultados. A IGEC manda-nos esquecer o meio e as familias. Nós queremos ter outras respostas para os meninos, que poderiam passar por áreas vocacionais ou cursos de educação e formação ou mesmo PCA e a Dgeste não dá autorização para funcionarem. Como fazer os meninos sentirem-se bem e integrados na escola e com vontade de ir às aulas?? Solução??? Não sei!
Os nossos alunos CEI tem disciplinas alternativas quer com os profs de educação especial, quer com profs da escola que tem perfil para este tipo de trabalho. Vão à turma e são bem aceites porque sabem estar e as disciplinas práticas dizem-lhes alguma coisa. São felizes e não querem sair da escola. Os outros, a franja das adequações curriculares anda sempre a pedir para ir para aquelas disciplinas práticas e não se capacitam que tem que fazer os exames, de escola, é certo, mas tem!
DEpois temso uma situação ridicula....os nossos alunos CEI 8 normalmente com o com o 9º ano, vão para uma escola profissional, regridem um ano e deixam de ser CEI, Dá para acreditar???

Aurélie disse...

Na minha opinião .. ainda temos algumas barreiras. Mas tal como um colega referiu, acho que a barreira maior são as pessoas, de um modo geral. Neste mundo de pessoas, falo da sociedade, dos colegas, dos auxiliares de educação e dos colegas dos alunos com NEE.

De facto, para mim é a maior barreira que encontro e que é muito importante. Os professores e titulares de turma; e todo os membros da turma devem ter noção do PEI de cada aluna. Não é só dar essa tarefa ao professor de educação especial e assinar por baixo sem ler, com o que concorda.

Quanto aos restantes professores também têm de estar dentro do assunto da educação especial. Devem procurar formação e informação... Muitas das vezes, esta é-lhes dada gratuitamente e poucas são as pessoas que estão interessadas.

Uma outra barreira muito importante, são os subsídios da educação especial, que estiverem recentemente em discussão. Os pais com filhos que precisam de determinado acompanhamento médico e de determinadas terapias, mas estas são pagas pelos pais. E os pais que não têm capacidade financeira ??? Como fazem???

Serpico disse...

A temática foi muito bem selecionada, uma vez que o ponto de partida tem que ser exatamente os propostos.

Manuel Sérgio disse...

A temática foi muito bem selecionada, uma vez que o ponto de partida tem que ser exatamente o proposto.

Leonor gonçalves disse...

Sem duvida Jose tem toda a razão.
É o País que temos!

Cantinho da CRIS disse...

Boa tarde, colegas

A minha opinião vai de encontro à vossa, Delfina e Carla, pois decorridos 6 anos ainda há intervenientes no processo educativo que não dominam bem o conteúdo e o público-alvo do Decreto-Lei n.º 3/2008. Essa sim é uma barreira, considerando que seria urgente haver formação contínua tal como é sugerido no ponto 13. “Promoção da formação contínua que contemple (i) os princípios éticos e declarações que fundam a escola inclusiva; (ii) a formação no modelo biopsicossocial incidindo na promoção de competências para a descrição do perfil de funcionalidade baseado no resultado de uma avaliação com recurso à utilização de qualificadores de capacidade com auxílio que forneçam estratégias úteis à intervenção; (iii) as diretrizes e recursos constantes na legislação e o uso do referencial Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde.” constante no Relatório Final - Projeto da Avaliação Externa da Implementação do Decreto-Lei n.º 3/2008.
A política de inclusão social ainda é uma utopia aos olhos de muitos profissionais, é necessário que se acredite e se modifiquem atitudes, é necessário que se saiba gerir estratégias e recursos.
Também nos deparamos com outras barreiras, falta de recursos materiais, falta de recursos humanos afetos à escola ( docentes de educação especial, terapeutas da fala, psicólogos). É essencial que se faça um acompanhamento mais constante ao aluno para que se verifiquem os progressos tão desejados.

DG disse...

Para quem não viu, aqui vai mais uma oportunidade de reflexão - http://www.rtp.pt/play/p1099/e150007/pros-e-contras
Sugiro que oiçam atentamente o Prof. David Rodrigues (24:18)

Paula Silva disse...

Boa tarde!
Começo por vos dizer que concordo que a questão das barreiras é fulcral, é mesmo o ponto de partida. Estes jovens, estas pessoas, têm que enfrentar tantos obstáculos que quando surge algum extra (criado a partir das pessoas que os rodeiam) essa sim é a mais difícil: barreira humana.
Trabalho há mais de 15 anos com jovens e adultos com deficiências, os maiores problemas para enfrentar são as mentalidades das pessoas: continuam todos a criar barreiras. As famílias e sociedade muitas vezes tratam estas pessoas como "coitados", não são capazes de tentar iguala-los em coisas simples que todos podem fazer. Muito se fala e se escreve sobre este tema mas na minha opinião há muitos temas que não podem ser tratados com decretos. Há temas que têm de ser tratados com educação e princípios de igualdade reais, aplicados no dia a dia. Dou-vos um exemplo:
Um jovem com 25 anos namora e tem as suas experiências (sai e vive com outra pessoa) e todos acham normal e até ajudam. Num jovem idêntico com deficiência tudo muda, criam mais impedimentos, mais dificuldades, desrespeita-se a vontade do jovem e criam mais tabus: Não podem ter namorada, não podem sair com amigos, ....
Quem fala deste exemplo pode falar de muitos outros: no trabalho, na vida social, etc, etc.
Têm de ser criadas condições para que tudo possa acontecer de forma a ser acessível a todos.
Com tudo isto acho que as mentalidades não evoluíram e essa é a principal barreira. Enquanto existirem tabus não pode haver evolução.

Cantinho da CRIS disse...

Colega Delfina

Concordo com o que escreveu neste parágrafo:
"A legislação, que até é bem conseguida, acaba assim por beneficiar, não o aluno com NEE, mas turma e o professor…" De facto, tenho verificado determinadas atitudes de docentes que confirmam o que afirmou. Deste modo, o Ministério da Educação deveria promover várias ações de sensibilização, sem carácter facultativo, junto de docentes e técnicos. Muito há a fazer. Intervir e acreditar na mudança, é essencial!

Ana Paula Rocha disse...

Caros formadores

o link para colocar as atividades realizadas estava em modo de edição (Tópico 1 - registo da atividade individual ou de grupo).
Assim, envio aqui o resultado da edição:
https://docs.google.com/forms/d/1bnnw7wJIq5a46UxoNw-FV_kIa76V4SexFVjkrakpOF4/edit
já com os dados preenchidos.

Paula Sousa disse...

Olá a todos!

Da minha escassa experiência com alunos com NEE, concordo plenamente com o que foi dito até então.

Um colega colocou aqui a questão se a escola inclusiva seria uma utopia ou uma realidade. Tal como referem alguns autores, não se trata de uma utopia, mas também não é necessariamente uma realidade. Vejamo-la antes como algo que se vai construindo não exclusivamente através de decretos.

Na minha opinião, nós, educadores, somos uns dos principais agentes da mudança, mas é exatamente sobre este aspeto que residem algumas das principais barreiras deste paradigma educativo: a falta de formação e cooperação entre agentes educativos.

Relativamente ao primeiro ponto, a formação inicial, muitas vezes, não contempla o suficiente sobre esta matéria, pelo que os professores devem procurar manter-se atualizados através de formação contínua contextualizada nas suas práticas ou formação especializada.

Quanto à cooperação entre agentes educativos, considero que este campo pode ser mais trabalhado, sobretudo, se todos despenderem o mesmo interesse e empenho rumo a um único e mesmo sentido: uma Educação para Todos!

José Fernando Rodrigues disse...

Boa tarde!
O grande inimigo da inclusão é a cabeça do ser humano, os tabus, as mentalidades, ... a inclusão social é uma mentira. 90% das pessoas olham para uma rapariga de cadeira de rodas que vai a discoteca e fazem muitos tipos de observações. 90% das pessoas reparam se uma cega entra numa Zara com o seu cão guia e pensam um conjunto de coisas, provavelmente até pensam em coisas positivas mas pensam. A inclusão só vai ser plena quando as pessoas com algum tipo de deficiência forem transparentes.
Esta mensagem anterior recordou-me alguns aspectos que, normalmente, não são abordados ou estudados. Quem se preocupa com a vida amorosa ou sexual das pessoas com deficiência? Quem se preocupa com o acesso à cultura, às atividades lúdicas, aos divertimentos, ... das pessoas com deficiência. Felizmente que já vão existindo exemplos com sucesso de museus, espetáculos, atividades culturais que se lembram destes cidadãos e está cada vez mais presente o turismo acessível.
Temos utilizado muito a palavra barreiras aqui nos nossos comentários mas há muitos tipos de barreiras: físicas, de mentalidades, digitais, culturais, ... enfim, uma selva que é preciso desbravar. Terei oportunidade de vos falar de barreiras digitais, se me permitirem, mas fica só um pequeno exemplo. Um cego não conseguiria participar nestes nossos comentários, sem ajuda, porque os leitores de ecrã que utilizam não conseguem ler os códigos que o blog nos pede quando submetemos aqui as mensagens.
Até logo!

Maria Casanova disse...

A evolução da educação Especial é muito interessante. Parece-me que esta evolução tem a ver com evolução do entendimento do ser pessoa.
São pertinentes as noções de Integração e de Inclusão que ainda hoje perduram na Escola. Parece-me que a necessidade de incluir os alunos NEE requer muito cuidado quer no que se refere à existência de recursos materiais quer no que se refere a profissionais capazes de realizar verdadeira diferenciação pedagógica.

MOOC INCTEC disse...

Agradecemos o alerta. O link do formulário já foi corrigido. Agradecemos que volte a submeter.

ISiSa disse...

No meu país, Cabo Verde, muitas barreiras ainda persistem. Por um lado, a atitude, a forma como as pessoas com deficiência são encaradas, muitas vezes, até mesmo dentro da própria família. São encaradas como coitadinhos e incapazes, não são vistas para além das suas limitações e dificuldades.
Por outro lado, a ausência de politicas públicas efectivas e legislação específica. Existe um desfasamento entre aquilo que é defendido e aquilo que se verifica na prática. Por exemplo, em relação à educação, actualmente tem-se falado muito em educação inclusiva, escola para todos, mas na prática, é possível verificar que o nosso sistema ainda não está preparado para trabalhar com alunos com NEE’s; a falta de professores com formação específica, a insuficiência de técnicos para o apoio e acompanhamento, a escassez de recursos materiais e ainda a própria estrutura das escolas que impõem muitas barreiras arquitectónicas.
Do grupo de crianças e jovens com NEE’s destacamos a existência de alguns casos de sucesso junto de alunos cegos, onde já podemos encontrar cegos na universidade e no mercado de trabalho.
Apesar de alguns avanços há ainda, um longo caminho a percorrer e imensas barreiras a ultrapassar para que haja uma efectiva inclusão em Cabo Verde.
Cptos

Cantinho da CRIS disse...

Caros colegas
Preocupa-me e deixa-me triste, os casos dos alunos abrangidos pelos currículos específicos individuais. Considero que não é fácil implementá-los como seria o desejável uma vez que ainda existem algumas barreiras, quer ao nível de atitudes por parte da comunidade educativa, quer pela inexistência de recursos nas escolas.
Porque é que o Ministério da Educação não incentiva e financia oficinas ( carpintaria, atividades domésticas, culinária, informática…) nas próprias escolas?
É necessário colocar docentes a ministrar formação profissional nessas oficinas.
Os jovens precisam de ter formação certificada para entrarem no mercado de trabalho.
Eu defendo a formação destes jovens nas suas escolas, mas é urgente que sejam dadas as devidas condições.

Clara Barbosa disse...

Olá boa noite!

Muito embora eu não tenha qualquer experiência com crianças, mais precisamente crianças com NEE, parece-me que atualmente embora já se note alguma mudança nas atitudes e formas como se encaram este tipo de deficiência, julgo que o ponto essencial da questão de inclusão tem a ver com a mentalidade do homem.
É verdade que as crianças já começaram a ser integradas em escolas normais, podendo estudar com outras crianças, mas a verdade é que a maioria das escolas, mais propriamente que trabalha nelas, professores, auxiliares, entre outros, não estão ainda preparados para aceitar esta mudança.
Há que preparar os educadores, formando-os para que possam e saibam lidar com a diferença, criando estratégias capazes de motivar e estimular a aquisição do conhecimento.
Criar leis não chega, se o homem não as consegue por em prática.

Abraço,
Clara

Clara Barbosa disse...

Olá José!

Concordo plenamente consigo! De facto e como referi anteriormente, o que tem de mudar é a mentalidade humana!
A grande maioria das pessoas não aceita a diferença e isso reflete-se no tratamento, na educação e na inclusão de pessoas com NEE.
Cada vez mais vivemos num mundo onde a diferença já não deveria ser vista como "algo estranho". É o homem que faz essa diferença e cabe ao mesmo aprender a lidar com ela.

Abraço,
Clara

Paula Silva disse...

Concordo com o que diz, estou também a trabalhar com jovens de escolas e de instituições e é realmente problemático aquilo a que assistimos em certos casos!

Paula Silva disse...

Senti-me afrontada com o que vi/ouvi, tudo o que aqui referem é verdade e penso que as discussões no nosso pais não estão a evoluir, falamos muito sem "poder" dar solução a nada, estamos com visões limitadas pois não conseguimos evoluir.

Paula Silva disse...

Infelizmente tudo isso é verdade!!!

Paula Silva disse...

Olá posso dizer-lhe que na instituição onde trabalho as escolas já fazem a transição dos jovens para que possam ingressar nesse tipo de oficinas, sejam para fins ocupacionais ou de formação e emprego protegido.

Joana Teixeira disse...

Boa noite, apesar de ainda não ter muita experiência e prática, pois sou apenas estagiária, posso referir que a escola, como instituição, e os profissionais que nela trabalham, devem ser agentes de socialização e inclusão, na medida em que desempenham um papel fulcral na vida dos jovens com necessidades educativas especiais, quer a nível de desenvolvimento de competências académicas, quer a nível do desenvolvimento de competências de autonomia e desenvolvimento pessoal e social.
A pequena experiência que tenho permite-me referir que é essencial, apesar de todas as leis existentes para orientar práticas educativas, que os profissionais de educação especial que vivem diariamente com crianças com NEE, saibam dar-se por inteiro sem nenhuma barreira e preconceito. A meu ver, só poderá haver inclusão quando não existirem “barreiras humanas”.
Assim, e tendo por base, o Decreto-Lei n.º 3/2008 a escola e, essencialmente, os profissionais devem ser capazes de desenvolver nos alunos com necessidades educativas especiais, competências cognitivas e socio-afetivas adaptáveis aos mais diversos contextos e situações que a sociedade impõe, assim como contribuir para a formação de membros independentes e ativos na sociedade.

Sonia Soares disse...

Boa noite a todos! Tendo por base a minha experiência na Educação Especial, verifico que existem ainda muitos aspetos que dificultam uma verdadeira escola inclusiva. Somos dotados de suportes legislativos, recursos físicos e humanos mas as atitudes individuais, na generalidade, ainda não se coadunam com a "vontade" de integrar estas crianças, que possuem os mesmos direitos humanos que qualquer outra. Pessoalmente, sinto que uma das maiores dificuldades que os docentes (do ensino regular) sentem no acompanhamento e estimulação das aprendizagens dos alunos com NEE prende-se com a ausência de (in)formação adequada sobre as práticas inclusivas, medidas, metodologias, etc. Acho que está na altura de incluir nos cursos de ensino, formação sobre os alunos "especiais" e não só preparar os docentes para os alunos sem necessidades educativas, mas essencialmente dotá-los de ferramentas para que não se sintam frustrados por não saberem adequar metodologias. A formação dos docentes especializados em educação especial será sempre mais intensa e abrangente, mas creio que todos os professores devem ter obrigatoriamente formação integrada nos seus cursos sobre medidas educativas abrangidas pela educação especial.

José Fernando Rodrigues disse...

Formação inicial dos docentes de Educação Especial (reflexão muito pessoal)
Reconheço que esta minha mensagem de hoje pode ser um pouco polémica mas, longe de mim, querer melindrar alguém ou o seu percurso formativo. Apenas estou a exercer o meu direito à livre opinião de forma responsável e sei que poderei ter reações diversas a este meu texto.
Todos nós que temos formação em educação especial fizemos as especializações o melhor que soubemos e podemos nas instituições de ensino superior que escolhemos pois optamos pela oferta formativa que mais nos agradou. Utilizamos um sistema formativo já implementado que não ajudamos a construir, simplesmente usufruímos dele. Também é legítimo que um profissional abra outras portas no seu percurso académico e laboral de forma a não ficar no desemprego ou longe de casa. Mas, depois há o outro lado, a qualidade e o respeito que teremos de ter pelo nosso público-alvo.
Quero com isto dizer que, segundo a minha opinião, as especializações para a educação especial deixam muito a desejar. O problema inicial começa logo nos critérios de entrada nas especializações. As instituições de ensino superior, ávidas por alunos, nem sempre restringem os critérios de acesso. Ser professor de educação especial não é o mesmo que ser professor de História ou Matemática e por isso defendo critérios apertados no acesso à carreira. Depois temos o problema da diversidade de especializações oferecidas: cursos de um ano, cursos de seis meses, cursos de quatro meses, cursos por elearning, especializações com e sem estágio, enfim uma panóplia que, em alguns casos – quem sou eu -, deixam muito a desejar no quesito da qualidade. Para não ser acusado de falar de cor deixo alguns exemplos: há muitos docentes da área da visão que não sabem braille porque o único contacto que têm com este sistema de leitura e escrita é o alfabeto e pouco mais ou há especialistas na deficiência auditiva que não sabem LGP de forma a entabular um diálogo mínimo com um surdo.
Faço aqui um parêntesis para ressalvar, antes de continuar que, pese embora tudo o que escrevi, há muitos bons profissionais na nossa área que se empenham abnegadamente para dar o seu melhor e não frustrar as espectativas dos alunos e suas famílias e aprenderam muito do que sabem com a sua experiência mas defendo que a formação inicial é fundamental para que depois o percurso profissional não seja tão espinhoso.
Há alguns anos que pugno por uma licenciatura em Educação Especial em que o mestrado dessa licenciatura seria realizado numa das três áreas que normalmente são consideradas. Uma licenciatura com um tronco comum por onde todos os docentes deveriam passar. A Educação Especial não pode ser vista como uma escapatória para arranjar emprego – respeitando muito quem quer ter o seu lugar ao sol – mas deve ser encarada como uma missão. Todos têm direito ao emprego e a uma oportunidade, volto a sublinhar, mas em Portugal alguma coisa tem de ser feita nas políticas e práticas da formação inicial dos docentes que devem defender e praticar a inclusão acima de tudo. Não nos podemos esquecer que nós fazemos parte dos fatores ambientais dos nossos alunos e devemos ser facilitadores substanciais.

Ana Paula Ferreira disse...

Sem querer argumentar em favor dos professores do regular, reflito sobre a minha prática educativa no 1º ciclo, verifico que as atitudes do professor influenciam bastante a inclusão dos alunos com NEE na classe regular. Com vista à criação de ambientes educacionais positivos e enriquecedores, querendo derrubar barreiras atitudinais o professor deve transmitir sentimentos positivos, como também mostrar afeto, porque estas atitudes vão ser rapidamente adotadas pelos restantes alunos. A interacção positiva entre alunos com e sem deficiência depende da atitude do professor e da sua capacidade para promover um ambiente educativo positivo, essencial para que a experiência educativa tenha sucesso e seja gratificante para todos. Continuação de bom trabalho.

edgapoe disse...

Aconteceu com o 319/91 e volta a acontecer com a atual legislação... vamos mudar de linhas orientadoras sem (muitos) as terem lido e, como tal, terem posto as principais diretrizes de um ou do outro em prática: não existem duas escolas, não há "os meus" e os "normais".

edgapoe disse...

Questão: Seria possível alterar o link associado à minha imagem (blogger) pelo link do portfólio http://edgapoe.weebly.com/

Cidália Araújo disse...

Concordo com a colega, e acrescento que os próprios pais podem criar barreiras quando se trata de NEE ligeiras relacionadas com a aprendizagem da escrita, da leitura e do cálculo. Embora os resultados académicos demonstrem um desempenho muito inferior aos pares, esses alunos não têm alterações significativas no seu desenvolvimento. Neste caso, quando se procura perceber a origem do problema, os pais não querem admitir que possa existir NEE, mesmo que ligeira, pelo rótulo que essa classificação implica. Nestas circunstâncias é ainda mais difícil de agir, intervir. O professor terá uma papel fundamental nestes casos, pois poderá tratar do processo de referenciação do aluno, segundo o decreto-lei n.º3/2008, para que possa existir uma intervenção adequada que permita que o aluno tenha sucesso escolar e não seja empurrado para ofertas educativas, ditas mais práticas e mais adaptadas às suas competências.

Marlene disse...

Bom dia a todos,
Na minha opinião vários colegas já referiram alguns aspetos pertinentes no que se refere a barreiras, à verdadeira inclusão destes alunos, às alterações que têm surgido em termos de legislação, entre outras. Eu sou professora e, sinceramente, acho que tenho sido uma “barreira”, essa é uma das principais razões que me leva a fazer esta formação, tenho procurado apoio na legislação e nas colegas de educação especial, mas considero que ainda tenho muito que aprender a este nível. Tenho muitas turmas, algumas reduzidas outras não e o que eu sinto é que não tenho sido capaz de dar o apoio individualizado necessário para estes alunos, essencialmente devido às características específicas de cada um deles. Um colega já colocou uma questão que tenho feito a mim mesma constantemente no decorrer deste ano letivo: tornar a escola inclusiva passará apenas por integrar estes alunos numa turma com currículo normal? Sou da opinião de que alguns alunos estariam bem melhor fora da sala de aula, podendo desenvolver competências específicas e promover a autonomia para a sua integração na sociedade.
Bom trabalho!!!

MOOC INCTEC disse...

Caro Carlos,

Já substituímos.

Cantinho da CRIS disse...

Boa tarde, colegas
Da minha experiência profissional de contacto com crianças e jovens com incapacidade e/ou deficiência, as barreiras que me parecem mais evidentes e que persistem são:
- A falta de formação contínua, gratuita, que contemple os princípios éticos e declarações que fundam a escola inclusiva tendo como público-alvo todos os agentes educativos.
- A falta de formação contínua, gratuita, a docentes e psicólogos sobre o processo de elegibilidade para efeitos de aplicação de medidas especiais de educação e sobre a adequação do processo ensino aprendizagem – medidas educativas.
- Poucos recursos educativos ( software, material didático) nas escolas.
- Inexistência de oficinas ( carpintaria, atividades domésticas, culinária, informática…) nas próprias escolas, a fim de se proporcionar formação vocacional/profissional aos jovens com CEI e PIT.
- A falta de recursos humanos afetos à escola ( docentes de educação especial, terapeutas da fala, psicólogos).
- A pouca colaboração e responsabilidade de alguns pais.
Sugeria:
- Criação de equipas de docentes de educação especial, formadas pelo Ministério da Educação, de forma a reunirem e transmitirem informações/diretrizes aos Diretores dos Agrupamentos e aos docentes do Grupo de Educação Especial.
- Uniformização dos impressos de educação especial ( modelos elaborados pelo Ministério da Educação).

Ana Pinheiro disse...

Boa tarde,
Não costumo trabalhar com alunos com NEE mais "profundas" (desculpem a expressão, não será a mais correcta mas falhou-me aqui o vocabulário) pois a minha disciplina (Física e Química) é das que primeiro é retirada do plano curricular. Já trabalhei com alunos com dislexia, sindrome de Asperger e autismo ligeiro, e os alunos que acompanhei estavam muito bem integrados. Mas quando vemos os colegas da educação especial e das disciplinas mais "funcionais" ou consideradas "essenciais" a falar nas reuniões sobre os alunos com deficiências mais profundas, verificamos que a inclusão nunca será possível para alguns alunos, por muito que isso nos incomode. E aqui, por muito que concorde com a inclusão, acho que estamos a prejudicar os alunos ao colocá-los em turmas ditas "regulares".
Como é que pode ser bom para um aluno com deficiências profundas ao nível da aprendizagem estar inserido numa turma de 7º ano e assistir às aulas de português, onde está a fazer fichas adaptadas do 2º ano e onde por vezes não é possível estar o professor de EE? Isto sucedia numa das minhas turmas e a aluna em causa chegou a ter de ir para uma aula minha porque a professora de EE faltou. Dei trabalho aos colegas para a poder acompanhar a ela, e nunca tinha estado sequer com a menina. Nestes casos não acho que os alunos estejam a ser beneficiados, acho que precisavam realmente de alguém que pudesse apoiar a tempo inteiro... Essa aluna estava sempre de parte, a inclusão nunca se verificou na prática... A inclusão deve ser promovida, sem dúvida, mas primeiro dever-se-ia analisar o que é melhor para cada caso...

janete barbosa disse...

Boa tarde caros colegas. não trabalho diretamente com as crianças especiais, mas tenho noção das dificuldades que os professores enfrentam para lidar com elas, mas acredito que com um pouco de sensibilidade pela causa, disponibilidade e empatia pode-se fazer muito por elas, independentemente de ter recursos ou não, como disse Dra. Manuela Sanches e concordo o problema não estão nas leis, pq estas já foram criadas, (aqui em Cabo Verde Também), mas sim na qualidade do meio onde essas crianças se encontram. E nós professores e psicólogos temos de acreditar nas nossas pessoas especiais de que tanto eles como nós somos capazes de aprender e como orientadores podemos fazer as pessoas especiais descobrirem os seus talentos.
As barreiras são muitas, arquitetónicas, curriculares, formação, mas a que dá mais trabalho para resolver são as mentais, mudança de mentalidade, porque há escolas com profissionais com formação, espacialmente adequadas, mas não se aceita na totalidade a pessoas especiais vendo sempre a deficiência e não a capacidade dos mesmos.

Clara Monteiro disse...

Olá a todos!

Da minha experiência com alunos com NEE, concordo plenamente com o que foi dito até então e considero fulcral abordar a questão das barreiras como ponto de partida neste curso.
Realmente as pessoas com NEE, têm que enfrentar tantos obstáculos inerentes à sua deficiência, mas a barreira humana é sem dúvida a maior das barreiras. As atitudes, comportamento e ações das famílias e da sociedade são uma grande barreira.
Outra barreira é a falta de recursos materiais e de recursos humanos (docentes de educação especial, terapeutas da fala, psicólogos).
Arranjar/incentivar empresas para estes jovens possam fazerem a sua formação em contexto de trabalho.
É preciso mudar mentalidades, enquanto existirem tabus não pode haver evolução.

Margarida Moura disse...

Quando falamos de inclusão pensamos imediatamente nas crianças com NEE, mas ela visa todos, porque a INCLUSÃO visa a presença, a participação e o sucesso de todas as crianças e jovens, preocupa-se com a identificação e eliminação de barreiras; implica uma particular atenção aos grupos de alunos que possam estar em risco de marginalização, exclusão ou mau aproveitamento. A INCLUSÃO é um processo. Numa abordagem de Educação baseada no desenvolvimento pressupõe-se que todas as crianças e jovens tenham uma resposta educativa adequada às suas necessidades que lhes proporcione o desenvolvimento das suas capacidades. Na Declaração de Salamanca,1994, é inequívoco o apelo pela Escola Inclusiva, reconhece as excepções à regra, aponta para um conceito de Escola fundada na diversidade de conteúdos e de respostas.
Fazendo uma perspectiva histórica da legislação acerca do caminho que vai da integração à inclusão, no caso particular das crianças com NEE, em Portugal temos nos anos 80: Publicação da lei de Bases do Sistema Educativo Português (1986); Decreto-Lei n.º 35/90, de 25 de Janeiro: “Os alunos com necessidades educativas específicas, resultantes de deficiências físicas ou mentais, estão sujeitos ao cumprimento da escolaridade obrigatória, não podendo ser isentos da sua frequência”. Mais tarde o Decreto-Lei nº319/91:“ […] foi considerada no presente diploma a evolução dos conceitos resultantes do desenvolvimento das experiências de integração, havendo a salientar: A substituição da classificação em diferentes categorias, baseada em decisões de foro médico, pelo conceito de «alunos com necessidades educativas especiais», baseado em critérios pedagógicos; A crescente responsabilização da escola regular pelos problemas dos alunos com deficiência ou com dificuldades de aprendizagem; A abertura da escola a alunos com necessidades educativas especiais, numa perspectiva de «escolas para todos»; Um mais explícito reconhecimento do papel dos pais na orientação educativa dos seus filhos; A consagração, por fim, de um conjunto de medidas cuja aplicação deve ser ponderada de acordo com o princípio de que a educação dos alunos com necessidades educativas especiais deve processar-se no meio menos restritivo possível, pelo que cada uma das medidas só deve ser adoptada quando se revele indispensável para atingir os objectivos educacionais definidos”. Decretos – Lei nº 6 e nº 7 de 2001: “Consideram-se alunos com NEE de caráter prolongado aqueles que experienciam graves dificuldades no processo de aprendizagem e participação no contexto escolar, familiar e comunitário, decorrentes da interacção entre factores ambientais (físicos, sociais e atitudinais) e limitações de grau acentuado ao nível do seu funcionamento num ou mais dos seguintes domínios: sensorial (visão e audição); motor; cognitivo; comunicação, linguagem e fala; emocional e personalidade” e por fim o DL nº3/2008 que vem definir os apoios especializados a prestar na educação pré-escolar e nos ensinos básico e secundário dos sectores público, particular, cooperativo ou solidário; Visa a criação de condições para a adequação do processo educativo às necessidades educativas especiais dos alunos com deficiências ou incapacidades; define como objectivos da educação especial a inclusão educativa e social, o acesso e o sucesso educativos, a autonomia, a estabilidade emocional, bem como a promoção da igualdade de oportunidades, a preparação para o prosseguimento de estudos ou para uma adequada preparação para a vida profissional. Aplica-se aos ensinos público, particular, cooperativo e solidário. Como se pode verificar as barreiras que existem não são legislativas, mas ambientais e “mentais”.


José Fernando Rodrigues disse...

Vivam colegas!
Estas duas últimas mensagens que me antecedem fizeram-me refletir sobre dois assuntos que me parecem primordiais nestas questões da inclusão.
1 - Voltando à questão da formação inicial esqueci-me de referir, na minha mensagem sobre o tema, que defendo que todos os docentes, independentemente da sua área de formação, durante as suas licenciaturas, deveriam ter uma cadeira de educação especial onde teriam um contacto mínimo com as realidades que poderão encontrar numa turma regular. Garanto-vos que quem passa pela educação especial já mais será a mesma pessoa. Torna-se alguém mais sensível, mais tolerante, mais paciente. Quando temos uma criança especial numa turma regular devemos saber lidar com ela e se temos dúvidas ou dificuldades devemos saber pedir ajuda. A sensibilidade é tudo!
2 Depois da Declaração de Salamanca entramos numa espécie de euforia pois passamos a acreditar que a inclusão era possível, rápida, eficaz e para todos os casos, mesmo para todos. Ora, nem a propósito, este ano a declaração faz vinte anos, uma boa efeméride para refletirmos sobre ela. Para além da inclusão ainda não ser uma realidade para todos, porque tem muitos entraves, já explanados por outros colegas, sendo um deles – digo eu – a crença cega de alguns que a inclusão é mesmo plena e para todos. A inclusão não pode ser uma coisa forçada nem imposta. Por acaso acreditam que é possível incluir um aluno com multideficiências que está acamado? Por acaso acreditam que é possível incluir um jovem com deficiência mental severa? Eu não! Acredito que há pequenos momentos de inclusão - e esses devem ser valorizados - e também acredito que, mesmo estes casos mais difíceis, devem passar parte da semana numa escola dita inclusiva do que apenas fechados numa instituição segregadora. Considero que a convivência e a sociabilização são muito importante e estimulante para estes casos mais complicados mas, se calhar, devemos encontrar aqui um regime misto em que os alunos com incapacidades mais complexas devem passar parte da semana na escola e o resto em organizações que os possam ajudar nas suas necessidades próprias. Estas instituições devem funcionar como retaguarda às escolas inclusivas e nunca devem perder de vista estes alunos que depois vão ser adultos amanhã. Corremos o risco, se nada se fizer ou afinar, de termos jovens “incluídos” e adultos segregados. As escolas de referência tentaram contornar este problema mas caíram em algumas perversidades práticas e legais porque segregaram dentro da inclusão. Conheço um caso de uma escola de referência para surdos onde os alunos passam grande parte da semana numa sala de apoio com um professor de apoio e, arrepiem-se, até os intervalos são desencontrados dos de toda a miudagem da escola. Será isto inclusão? A propiá legislação é inimiga das escolas de referência ao afirmar que os pais são livres de matricular os filhos com NEE onde quiserem. Há escolas de referência para cegos que não têm um único aluno com deficiência visual.

Beatriz Mota disse...

Boa noite
Concordo com muito do que aqui foi dito, mas sem dúvida que a mudança de mentalidades é para mim aquela que mais peso tem. Tenho 15 anos de trabalho com crianças e jovens com necessidades educativas especiais alguns passados em instituições outros em escolas e em ambos me tenho deparado com a relutância na mudança e porque não querem mudar preferem continuar na ignorância. Digo isto porque já me deparei em reuniões onde se falava acerca do percurso escolar dos alunos, com perguntas tão simples: O que é o PEI, e para que serve? e Pei`s que já estavam a ser ou melhor deveriam estar a ser utilizados há pelo menos 2 anos.Custa a acreditar mas temos ainda muitos colegas que não conhecem o decreto nº 3 de 7 de janeiro.Falar em fazer adequações ainda hoje para alguns colegas não faz sentido, isto porque não sabem nem as querem fazer.Peço desculpa se este meu comentário ferir alguém, mas este ano tenho sido vitima de muito do que aqui relatei.
Mais uma vez digo as leis estão feitas mas para que servem senão forem lidas, refletidas e postas em prática.
Obrigado

Helena Taveira Gonçalves disse...

Boa noite a todos, ainda tenho pouca prática com crianças/jovens NEE, contudo vou-me debatendo diariamente com problemas burocráticos, barreiras arquitetónicas, humanas e materiais.
Cada vez mais se fala em escolas inclusivas, mas em todas as escolas há uma diversidade de crianças/alunos, que por vezes não é fácil ir ao encontro das suas necessidades, por mais que se queira ajudar nem sempre é possível ter os melhores resultados.
Sempre que possível, os docentes deve estruturar a sua atividade prática educativa de forma a conseguir pensar um currículo que se ajuste a cada aluno, tendo sempre em conta as suas diferenças, as suas características, as suas necessidades e os seus interesses, facilitando e promovendo a sua aprendizagem e o seu desenvolvimento integral.
As nossas escolas, na maioria, não estão preparadas para receber crianças com um determinado perfil de funcionalidade, há crianças, no meu ver, que beneficiariam mais se fossem integradas em instituições onde houvesse recursos materiais, humanos e técnicos apropriados a cada necessidade.
Para algumas crianças, com determinados perfis de funcionalidade, sim, é importante a sua inclusão numa escola normal.
Com algumas crianças é quase impossível trabalhar, pois faltam ferramentas que nos ajudem a conseguir alguns resultados mesmo que pequenos. É impossível haver resultados significativos, quando por exemplo, temos uma criança com paralisia cerebral que necessitaria de terapias diárias e só usufrui de 45 minutos semanais, que passa horas e horas sentada numa cadeira de rodas, em que pouco ou nada consegue participar ativamente na turma. Que inclusão será essa?
A Escola Inclusiva de que tanto se fala é por vezes uma utopia e mera ilusão.
Ainda há muito a fazer nas nossas escolas e na nossa sociedade em relação às nossas crianças/jovens NEE. Estas devem ser tratadas de modo especial, como especiais que são e por isso devem ser tratadas como tal e não colocadas de parte.

Filomena Menezes disse...

Olá a todos,
Gostei das interrogações retóricas da colega Carla. Realmente, quando não sabemos, porque não procuramos o saber? Quando não conseguimos ajudar um aluno a ter sucesso, porque não modificamos atitudes, estilos. Acho que as mentalidades são a principal barreira. São barreiras para um problema que é de todos.
E penso que temos, todos, muito medo de sentir esta impotência que é a de não saber como ajudar, como chegar ao Outro. Sou professora e, se não gostasse de saber -estava bonito, estava!! No meu curso também não foram abordadas questões do foro das dificuldades de aprendizagens e/ou problemas do desenvolvimento. Uma vez fiz um pequeno curso de Língua Gestual, mas como não pratiquei, esqueci. No meu quotidiano, a maior barreira que tenho encontrado prende-se com a má vontade aliada à burocracia. A ignorância dos problemas dos alunos e a irrelevância que se dá às problemáticas, nomeadamente às dificuldades de aprendizagem específícas. Este ano, por exemplo, vi depararem-se problemas relacionados com a realização de exames nacionais. As condições especiais são tão criteriosas e deixam de fora alunos que beneficiariam de sucesso se não houvesse tanta burocracia. Depois há o problema comunicacional entre os ministérios. Os médicos não sabem o que queremos e nós não sabemos o que eles fazem. Pede-se um relatório médico, com o objetivo de esclarecer a problemática ao Júri Nacional de Exames e chega-nos uma mera declaração a dizer que é seguido em determinada especialidade. Má comunicação, pouco espaço nestas áreas para estarmos sentados e definirmos que quem diagnostica são os médicos e que os documentos não podem ter critérios administrativos.
Mas é um problema ainda maior porque sou docente e tenho à minha responsabilidade intervenções educativas que se pressupõem, sejam de sucesso. Uma intervenção que poderá contribuir para promover potencialidades. Competências essas que, muitas vezes têm um timing para a intervenção porque depois já será demasiado tarde. Muitas vezes com demoras de recursos humanos tudo terá já alcançado o comprometimento, o sucesso e o desenvolvimento que se pretendia. E muitas das vezes é a burocracia que impera.
A educação é uma área complexa, sobremaneira quando interagimos com crianças e/ou jovens portadores de necessidades educativas especiais. Já sabemos que aprendemos mais facilmente com o afeto, ora quando lemos cada decreto-lei, apesar de o sabermos impregnado de algumas preocupações, não o conseguimos aplicar na prática, infelizmente. Então como ainda não se modificaram atitudes e mentalidades por decreto, apraz-me dizer que quanto mais associações existirem, a pressionar e a dar testemunho, mais serão reconhecidas as problemáticas e o conhecimento da população em geral. De que serve existirem decretos que protegem se depois não existem estruturas que ajudem, do ponto de vista monetário, as famílias que têm filhos que precisam deste tipo de intervenções, dos cuidados dispendiosos, desgastantes e intensivos?? Só é um direito, se quando detetadas as problemáticas, o apoio à família estivesse sempre lá. A requerimentos e a fazer prova de tudo, os pais desesperam e os docentes também.

boneca de cristal disse...
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Maria Fernanda disse...

Olá colegas,
O meu olhar persistente, rumo à Escola Inclusiva, é o que me incentiva a permanecer na Escola.
A inclusão é um princípio de igualdade para todos os que chegam.
À escola chegamos muitos. Adultos, crianças, com hábitos, com diversos projetos de vida, de diferentes origens, culturas...
Acredito na escola onde cabemos todos e onde todos devemos ver o nosso direito de ser feliz, seguir o seu rumo e o seu caminho pessoal e diferenciado, de forma colaborativa, na aceitação e sobretudo respeito de cada diferença na construção de saberes.
Nesta escola, a inclusiva, todos são bem vindos e todos têm espaço. cabe, em meu entender, a todos nós capacitar a escola de respostas para todos.
Os alunos com Necessidades educativas, tal como os alunos com NEE de caráter permanente têm o direito de estar com os pares, sendo tratados como pares. Assim, a educação especial é, na escola inclusiva, um recurso e sublinho recurso à diferença, de modo a tornar as "desigualdades injustas, em desigualdades justas". A educação especial deve, para mim, ser o recurso que estabelece, colabora e delimita, com a escola, formas de eliminar barreiras de acesso à participação.

Sérgio Machado disse...

Na minha opinião, a grande barreira é a maneira de pensar em particular dos membros da comunidade educativa.
Enquanto se encararem os alunos com NEE como forma de reduzir o número de alunos por turma e, depois, dentro da sala, se ignorarem ou fazê-los sair da sala de aula alegando falta de tempo/trabalho para eles. Por outro lado, a criação de algumas Unidades poderá funcionar como depósito para alunos que não interessa ter na sala ou até a circular pela Escola.
A Escola pode ser inclusiva ainda que não tenha qualquer tipo de apoio material ou humano e sim se reconhecer o aluno com NEE como mais um que deve formar.

Zezé disse...

Amigos e amigas, bom dia a todos. Eu não sei onde postar minha dúvida, perdão se não for aqui o campo adequado. Alguém pode por gentileza me informar como ficamos sabendo se nosso questionário foi devidamente respondido, se postamos e nos identificamos direito nessa primeira demanda do curso? Abraços carinhosos para todos

sonia Brites disse...

Inclusão significa promover e reconhecer o potencial inerente a todo ser humano na sua maior expressão: a diferença. Deste modo, prepara e desenvolve a escola para chegar a todos os alunos e ultrapassar as barreiras à participação.
Isto é, em vez de se considerarem unicamente os problemas dos alunos consideram-se as diferentes barreiras à sua aprendizagem.
Muito se tem falado sobre as barreiras que existem atualmente na Educação: a falta de recursos financeiros, a falta de recursos humanos, a falta de tempo... mas não será a atitude de cada um dos diferentes agentes educativos a maior barreira de todas? Na minha humilde opinião acredito que sim e é não só a maior barreira como a mais difícil de ultrapassar.

Hugo Santos disse...

Olá a todos.
Considerando a minha experiência no trabalho com alunos NEE são realmente notórias várias barreiras dentro das nossas escolas.
A barreira humana é sem dúvida a mais vincada e a mais difícil de mudar pois as barreiras física são alteradas com algumas obras, as barreiras nos materiais são alteradas com muita imaginação e algum orçamento mas as barreiras humanas só são alteradas através do empenho de todos os que constituem a comunidade escolar e essa alteração apesar de se dizer que já existe não corresponde à verdade.
Muito existe ainda para ser feito, e muitas são já as vitórias conseguidas para a verdadeira escola inclusiva e não para uma escola onde todos estão incluídos.

P.S. Não consigo encontrar o meu e-portefólio na área dos portefólios. http://hugosantos930.blogspot.pt/
Agradeço confirmação

Zezé disse...

Concordo com o princípio da inclusão dos alunos portadores de NEE na escola regular, acho saudável para todos, mas não como ela tem ocorrido no Brasil. As crianças chegam sem o devido preparo da equipe. Não temos acesso a médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, nem para nos orientar no trabalho com eles, muito menos para atender as crianças quando deles precisamos na escola. É uma vergonha e um insulto à cidadania e ao direito que haja recursos para tantas coisas fúteis e de muito menor prioridade e não haja verbas para oferecer qualidade à educação pública em meu país. Nossa angústia é tamanha na escola que chegamos a adoecer de preocupação e tristeza.

Elisabete Pinheiro disse...

ola
gostaria de colocar uma questão.
Que é suposto fazermos a uma criança com 15 anos, NEE com atrasos cognitivos e emocionais, no 10º ano, que frequenta somente as aulas de ed fisica e moral, passa o resto do dia na salinha da professora de educação especial, tem como medidas especificas horas na biblioteca que passa no facebook, e um dia numa instituição a dobrar roupa. Segundo os pais em casa é televisão e cama, nao realiza tarefas nenhumas que estimulem a autonomia. esta integrada claro num curriculo especializado. Chegam as medidas para esta criança? Estamos a dar resposta?? Os pais estão a fazer o papel deles??

Cris Moreira disse...

Boa tarde a tod@s,
Concordo com o que aqui foi dito pelas colegas, ou seja, as questões formais de integração foram resolvidas mas as informais persistem.
Apesar de as leis serem um grande passo para a integração das crianças com NEE, é indispensável que as escolas se reorganizem de forma a conseguir dar resposta às necessidades de TODOS os alunos.
Há uma falta de formação dos professores de ensino regular, que acabam por ter alunos com NEE sem terem qualquer noção de como podem adaptar o ensino para irem ao encontro das suas necessidades. Por vezes ocorre também falta de comunicação entre os pais dos alunos com NEE, o director de turma e os professores, o que dificulta o trabalho com os alunos. Sem saber quais são exactamente as dificuldades e limitações das crianças, o professor não consegue ajudá-lo da melhor forma.
A discriminação por parte dos colegas também é um factor a ponderar, e estas questões devem ser trabalhadas junto das turmas, como o direito à igualdade e não-discriminação, e ainda fazer a turma perceber quais as limitações do aluno e como o podem ajudar pode ser um factor positivo.
Uma questão bastante relevante também é a formação para os assistentes operacionais, que deve ser leccionada por alguém que consiga colocar-se no papel dos mesmos para conseguir ir ao encontro das suas dificuldades e necessidades quotidianas. Isto porque muitas vezes as formações para assistentes operacionais são dadas por profissionais que não se adaptam à realidade do público que têm à sua frente, formando barreiras que impedem a mensagem de ser realmente transmitida e implementada.

Atentamente,
Cristiana Moreira

Fátima Carvalho disse...

Olá

Se o aluno tem um curriculo específico individual é pressuposto que o mesmo contemple áreas funcionais leccionadas por professor especializado (português funcional, matemática funcional, autonomia) e áreas específicas (desporto, artes, conhecimento do meio, etc, etc, etc) lecionadas por professores das resptivas áreas , um PIT (Plano Individual de Transição) com as respetivas áreas a desenvolver e as parcerias na área de atividades ocupacionais e encaminhamento para a vida adulta, participação em clubes e projetos e participação as aulas com acompanhamento de professor caso seja necessário.
É assim que procuro fazer com os meus alunos.

Um abraço
Fátima Carvalho

Fátima Carvalho disse...

Olá a tod@s

Como professora de educação especial e como mãe considero as barreiras sociais as mais dificeis de ultrapassar. As barreiras físicas resolvem-se com adequações enquanto que as mentalidades levam décadas a mudar. Os nossos alunos/filhos sofrem de exclusão a todos os níveis, a começar pelas festas de aniversário dos colegas da escola para as quais não são convidados, de atividades lúdicas nas quais são esquecidos e quando participam são olhados como os "totós", os coitadinhos, os incapazes e a maioria das vezes são alvo de chacota como se fossem o palhaço lá do sítio. Isto para não falar das famílias especiais que sofrem do mesmo mal. As famílias de uma criança/adulto portador de uma deficiência são famílias portadoras dessa mesma deficiência porque acabem por ser vítimas da própria situação. Não podem participar na vida social e cívica da mesma forma que os outros porque não têm uma rede de apoio e suporte que lhes permita, por exemplo, sair à noite para participar me reuniões na comunidade, em atividades culturais, teatro, cinema, jantares sociais, etc etc etc, porque não podem deixar os seus filhos sozinho em casa. Isto é apenas um exemplo do que vivo e sinto que os pais dos meus alunos vivenciam a mesma situação. INCLUSÃO????? onde???? para quando???? como???? A legislação é apenas um papel muito bem escrito...a prática é muito mais do que isso...Peço desculpa pelo desabafo de uma professora e mãe ...
Fátima Carvalho

MOOC INCTEC disse...

Caro Hugo,

Não tínhamos registo e não se encontra submetido no formulário.
Já o colocámos no Blendspace, mas convirá submeter no formulário indicado na página do módulo de INTRODUÇÃO.
Aconselhamos a que o estruture de acordo com a sequência dos módulos e não se esqueça de incluir a sua apresentação.
Bom trabalho!

João Pinto disse...

Vivemos numa sociedade que cada vez mais afasta de alguns cidadãos por diversas razões. Cabe à escola contrariar esta tendência e desenvolver estratégias inclusive para todos os cidadãos.
Nem sempre é fácil responder às necessidades de determinados alunos de forma a não excluí-los do ensino dada, por um lado, a diversidade das características que torna cada aluno diferente e, por outro lado, a enorme quantidade de alunos que as escolas têm que gerir, o que as impede de atenderem a casos específicos – mais importantes.
Por isso a Escola inclusiva é uma aspiração politica e um objetivo pedagógico essencial mas que é extremamente dificultada pelas condicionantes práticas.

Cabe aos professores estruturarem a sua prática educativa de forma a ajustarem o ensino às capacidades/necessidades de aprendizagem de cada alunos sendo, como os modernos modelos pedagógicos defendem, um facilitador e promotor da aprendizagem em paralelo com o seu desenvolvimento cognitivo do individuo.
Mas também cabe às nossas instituições escolares estarem preparadas para receber todos os
alunos, independentemente do seu perfil. A inclusão, para ser uma realidade efetiva, deve ser feita numa escola aberta a todos e com iguais oportunidades para todos, promovendo princípios de igualdade e justiça.
Serão estes valores, que só podem ser apreendidos em conjunto, que irão definir os cidadãos de amanhã.

Como a colega Maria Fernanda diz, seu cometário de 10 de Abril de 2014 às 23:28,
“Acredito na escola onde cabemos todos […] de forma colaborativa, na aceitação e sobretudo respeito de cada diferença na construção de saberes”
Também acho que os alunos com Necessidades Educativas, têm o direito de integrarem a comunidade escolar sendo tratados como pares. Numa escola inclusiva, deve de existir espaço à diferença, como forma de formar e ensinar a viver com, e para, as diferenças inerentes a cada individuo.

Caso se estabeleça barreiras no processo de ensino, selecionando alunos para espaços de aprendizagens, segundo algumas características e necessidades, estamos desde logo a limitar e a condicionar o seu desenvolvimento. O que me preocupar é que, desta forma, estaremos a incutir aos nossos futuros cidadãos que, uma vez em sociedade, também deverão continuar a viver em espaços delimitados e protegidos… ou seja não estaremos contribuir para uma sociedade inclusiva.

João Pinto

Maria Couto disse...

Para facilitar a nossa reflexão acerca de Políticas Inclusivas e Medidas Educativas para Alunos com NEE, sugiro-vos a visualização dos seguintes vídeos:

Educacion Inclusiva parte I
http://www.youtube.com/watch?v=EURAdeQ7bdM

Educacion Inclusiva parte II
http://www.youtube.com/watch?v=A4SoMSJf8wo&feature=related


As impressões, os pensamentos, as análises e as ideias que me (sobre)assaltam ao ver este documento audiovisual prendem-se com o(s) conceito(s) de inclusão de crianças com NEE nas escolas da rede pública de ensino. Será a inclusão uma atitude que assenta no afeto ou uma prática que depende de recursos e equipamentos sofisticados?


Correia (2008) propõe um conjunto de estratégias a utilizar em salas de aula inclusivas que apontam para a importância dos afetos no processo de integração/inclusão de crianças especiais. Destaco, de entre elas, a promoção de interações positivas; a boa receção à criança com NEE; a promoção da amizade entre as crianças com e sem NEE; a sensibilização das crianças para a inclusão; …
Estas práticas inclusivas serão, porventura, os mais fáceis de assegurar, por não pressuporem investimento financeiro. Os vídeos em apreço mostram-nos que estes mecanismos de inclusão são promovidos pelos professores entrevistados. Foram-nos também apresentadas outras práticas inclusivas que, apesar de todos os constrangimentos ao nível dos recursos físicos, são implementadas. Destaco a preocupação com o ensino/aprendizagem cooperativo e a existência de grupos heterogéneos.
Porém, existem outras práticas inclusivas que dependem da existência de recursos e equipamentos tecnológicos de elevado custo. Estas estarão, nos contextos mais carenciados do Peru, comprometidas, como se pode verificar ao longo da reportagem. Refiro-me, por exemplo, a software educativo criado por equipas especializadas para crianças com NEE com necessidades específicas ao nível da visão, da audição, da linguagem, da motricidade,… Refiro-me, ainda, a cadeira de rodas computorizadas criadas para atenderem a necessidades específicas de crianças com mobilidade reduzida ou nula. Refiro-me, em suma, a todos os equipamentos físicos e/ou virtuais que, não resolvendo uma necessidade físico-motora, cognitiva, linguística, sensorial,… do aluno com NEE, a minimizam e contribuem para uma melhor inclusão, não só na escola, naquele momento, mas também na sociedade, depois da escolarização.
Sintetizo a mensagem da reportagem assim: com empenho e criatividade, há barreiras e constrangimentos que são superados, criando condições (afetivas e técnicas) possíveis de inclusão a meninos e meninas especiais. Como diria António Gedeão, «sempre que um homem sonha/o mundo pula e avança/como bola colorida/entre as mãos de uma criança.».

Referências bibliográficas:
Correia, M. (2008). Inclusão e Necessidades Educativas especiais. Porto: Porto Editora.


Ana Paula Carlos disse...

A igualdade como finalidade pode, por força das premissas de equidade que assume, comprometer a inclusão efetiva de todos os cidadãos.
As falsas igualdades são tentadoras para os que têm um papel em contextos educativos e a ilusão de que determinada mensagem, emitida de forma única, pode ser recebida da mesma forma por todos, é pretensiosa. Na verdade não consigo deixar de me surpreender sempre que oiço (e ainda oiço muitas vezes…) “mas se alguns conseguem porque é que os outros não se empenham também?”.
É perturbador constatar que ainda há professores que não se angustiam com o facto de os seus alunos não estarem a aprender. Enfiam a cabeça na areia e declaram o problema exterior a si: “A culpa é deles que não trabalham, que têm interesses divergentes dos escolares, que não têm pré-requisitos e não cumprem as tarefas propostas”.
A concentração no objetivo maior da aprendizagem de tudo por todos é esgotante mas acredito que é ele que dá sentido à função docente. Fico feliz com o sucesso da maioria mas às vezes, acredito que essa maioria conquistaria o sucesso independentemente da minha presença nas suas vidas.
“Como podemos fazer um uso consciente e deliberado das diferenças de classe social, género, idade, capacidade, raça e interesse como recursos para a aprendizagem?”… As diferenças encerram grandes oportunidades para a aprendizagem. Elas oferecem um recurso livre, abundante e renovável. Eu gostaria de ver nossa compulsão para eliminar as diferenças substituída por um enfoque igualmente insistente em se fazer uso dessas diferenças para melhorar as escolas. O que é importante sobre as pessoas - e sobre as escolas -é o que é diferente, não o que é igual.” (Robert Bart 1990, p. 514-515).
É preciso ser arrogante. Reclamar o papel de quem decidiu que vai fazer a diferença em todas as vidas com que a sua profissão for abençoada. Acredito que todos se devem mover em nome do sucesso de cada um, independentemente do que o sucesso de cada um possa ser. E este é o primeiro obstáculo. Assumir as diferentes perspetivas de sucesso que a individualidade implica. Nesse sentido, a adoção da CIF no contexto da educação indiciada no Decreto-Lei n.º 3/2008, apesar de todas as fragilidades, foi fundamental para desmistificar o “complexo das alíneas” do corajoso Decreto-Lei 319/91 de 23 de Agosto. Assumir a classificação da funcionalidade para construir é sem dúvida mais consentâneo com os direitos humanos do que partir das deficiências.
O caminho anuncia-se longo, mas os passos vão acontecendo…

Nelida Martins Anedith Silva disse...

Portanto partindo do principio que todos somos diferentes, podemos refletir um pouco sobre o papel da educação no que toca aos alunos com necessidades especiais e de todas as pessoas com deficiência e invocar o direito que elas têm de expressar os seus desejos em relação à sua educação e ainda de salientar o papel que os pais de ser consultados sobre a forma de educação que melhor se adapte às necessidades, circunstâncias e aspirações dos seus filhos. Eu trabalho com crianças e adolescentes, muitas apresentam
c apresentam dificuldades escolares e, consequentemente, têm necessidades educativas especiais.. As escolas terão de encontrar formas de educar com sucesso estas crianças, incluindo aquelas que apresentam incapacidades graves. Existe o consenso crescente de que as crianças e jovens com necessidades educativas especiais devem ser incluídos nas estruturas educativas destinadas à maioria das crianças, o que conduzira ao conceito da escola inclusiva. O desafio com que ss confronta esta escola inclusiva é o de ser capaz de desenvolver uma pedagogia centrada nas crianças, susceptivel de as educar a todas
com sucesso, incluindo as que apresentam graves incapacidades.

Delfina Carlos disse...

Olá, Fátima!

Senti mta força e tb alguma revolta no seu comentário; o preconceito (e vamos chamar os bois pelos nomes) é uma realidade na nossa sociedade, atingindo todos os que se destacam pela sua diferença, seja racial, sexual, religiosa, pela deficiência, pela idade… A sociedade está preparada para o que é belo e perfeito, esquecendo-se (como ouvi há dias na TV) que TODOS caminhamos para a deficiência, acho que ninguém se lembra que já foi dependente (certo é, por inerência da natureza), porém mais cedo ou mais tarde, a maioria tornar-se-á novamente dependente de terceiros; vai chegar a uma certa altura que tb NÓS deixaremos de ser convidados para as festas de anos... Mesmo que o nosso percurso fosse inverso, tal como Benjamin Button à partida e à chegada dependeríamos sempre do outro e quiçá tb de ajudas técnicas...
O que fazer então? Como mudar mentalidades? A mudança tem de começar dentro de nós…
Todos temos a responsabilidade social de criar o “efeito dominó” e quebrar de vez todas as barreiras.

Juliana Caçador disse...

Boa noite!
Não consigo ver o meu comentário na introdução, gostaria de saber o que se passa?
Grata pela atenção,
Juliana

Jorge disse...

Num ponto de vista profissional continuo a considerar que o grande problema da inclusão deve-se à escassez de recursos, tanto humanos como físicos. Não considero que as equipas estejam mal preparadas. Docentes, Docentes da Educação Especial e outros estão inteirados da realidade. O problema é que não disponibilizamos tempo e meios para apoiar devidamente os alunos e, de certa forma, as barreiras mais evidentes.

Cristina Neto disse...

Boa noite, Paula Sousa!
Tocou num ponto essencial: a formação inicial dos professores. Enquanto a formação inicial dos professores não contemplar uma abordagem à Escola Inclusiva, dificilmente conseguiremos mudar mentalidades. Acho que é mesmo por aí. Ouço cada coisa dos professores (não especializados) que têm meninos com NEE nas suas salas...

Isabel disse...

A meu ver uma das principais barreiras que continuam a persistir, ao longo dos tempos, são as barreiras humanas. Como docente de educação especial noto que muitos colegas ainda encaram o aluno com NEE como uma barreira ao seu próprio trabalho com a restante turma. Existem metas a atingir, o sucesso dos resultados da turma é fulcral para o seu próprio sucesso profissional. E esta questão levanta muitas outras... Os docentes estão preparados, tal como dizia o colega José, humanamente e cientificamente para trabalhar com estes alunos? Não. Esta questão também é muito cultural e enquanto não existir uma sociedade que cultive a aceitação, é muito difícil, o aluno enquanto ser em crescimento e desenvolvimento, mais frágil do que os outros, conseguir que toda a comunidade educativa consiga acreditar que ele é capaz! Pelo mínimo que seja... Pois muitas vezes o facto de um aluno com NEE de carácter mais grave ao nível da comunicação, conseguir , passado 1 ou 2 meses, dizer "olá" é fundamental para receber um sorriso, uma resposta e ser tratado pelo nome. E para ele dizer "olá" foi necessário alguém acreditar.
Este não passa de um pequeno exemplo, no meio de muitas situações que acontecem no dia a dia nas nossas escolas. E qual a imagem e transmissão de valores estamos a passar aos restantes colegas da turma?
A meu ver, para que o processo de Inclusão se verifique levantam-se uma série de questões, necessárias a aplicar numa Escola e que muito dita a sua cultura: Que tipo de mudanças será necessário efetuar na classe regular quanto à sua organização, gestão e apropriação curricular? Que rácio professor – aluno? Para se conseguir desenvolver projetos inclusivos as turmas deveriam ser reduzidas (também nos alunos com multideficiência) Que formação (inicial, especializada, contínua) para o professor (do ensino regular, da educação especial)? Como promover o envolvimento parental (directo, indireto)? Que tipo de recursos humanos e materiais têm que ser considerados (técnicos especializados – psicólogos, terapeutas, técnicos dos serviços sociais, etc. – dentro da classe regular quando necessário; financiamento apropriado)? O que é que a Comunidade pode e tem para oferecer e como pode participar? Que tipo de regulamento deve ser criado? Que tipo de atitudes e expectativas devem mudar? Estas, na minha opinião, são questões pertinentes para se delinear um plano de ação que minimize barreiras e promova o sucesso pessoal e educativo de TODOS os alunos.

Maria de Fátima Martins disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Maria Fernanda disse...

Concordo inteiramente com o referido.
Em contexto educativo, quando se fala de inclusão, o professor faz a diferença.
Fico grata pelos links, que desconhecia.
Fernanda Trigo

Maria de Fátima Martins disse...

No evento “Young Voices, Meeting Diversity in Education”, deu-se voz aos principais protagonistas da inclusão os próprios jovens com NEE pois, afinal, são eles que a vivenciam e que a sentem- “Do que disseram, destacam-se quatro ideias centrais: (i) a escola especial, onde apenas se encontram crianças e jovens com necessidades especiais, inibe o desenvolvimento, protege demasiado, segrega, por vezes estigmatiza; (ii) pelo contrário, o contacto dos jovens com necessidades especiais com os colegas da sua idade nas escolas regulares estimula a aprendizagem, permite a aquisição de competências não formais de grande relevo e prepara as crianças e os jovens para a vida real que hão-de encontrar ao sair da escola; (iii) além disso, promove a tolerância e a compreensão da diferença por parte dos outros alunos, combatendo precocemente o preconceito e promovendo assim a democracia e a coesão social; (iv) porém, a transição dos jovens com necessidades especiais das escolas especiais para as escolas regulares deve assegurar que nestas estão, de facto reunidas as condições necessárias para uma efectiva melhoria do serviço prestado. Acrescentamos um quinto: a participação das crianças com necessidades especiais nas escolas regulares é melhor para todos porque uma escola capaz de ensinar e fazer progredir os alunos com maiores dificuldades, mais capacitada estará para ensinar melhor qualquer outro aluno”-
Numa sociedade que se quer democrática, humanista e inclusiva, a escola e muito particularmente a escola pública, tem de saber responder à heterogeneidade, tem de encontrar respostas e aprender com a riqueza da diversidade, estando aqui incluídas TODAS as diferenças: sexo, religião, etnia, raça, doença e limitações/deficiências!
O difícil é encontrar a forma de responder adequadamente à diversidade e aí nós sociedade, pais/família, professores, técnicos auxiliares e os próprios alunos (com e sem NEE) temos um importante papel!
Claro que, como para tudo na vida, não defendo fundamentalismos e terá sempre de se analisar caso a caso e ver o que é melhor para cada criança/jovem, ver o tipo de resposta mais adequada, o tipo de intervenção necessária e salvaguardar sempre o supremo interesse de cada aluno!

Fátima Carvalho disse...

Ando nessa luta desde que adotei a minha filha com deficiência. Com a criação do movimento PeR (Pais em Rede) ao qual pertenço já se foi conseguindo alguma coisa. Pouca coisa mudou porque estas mudanças são demasiado lentas.
Um @br@ço
Um abraço

Antonia Espirito Santo disse...

Não podia estar mais de acordo com o que disse Fátima. Considero muito importante que estes alunos estejam junto aos seus pares sem deficiência e que a escola deveria estar preparada para lhe dar uma resposta eficaz às suas necessidades. Mas também penso que não existe só o preto e o branco pelo que coloco a possibilidade de alguns alunos frequentarem instituições de educação especial se se verificar ser o melhor para ele.

Mundo das TI disse...

Concordo com as opiniões formadas pelos colegas sobre a temática, e de fato ao reconhecermos que as dificuldades enfrentadas nos sistemas de ensino comprovam a necessidade de confrontar as práticas discriminatórias e criar alternativas para superá-las, educação inclusiva assume espaço primordial no debate acerca da sociedade atual e do papel da escola na superação de uma lógica que por vezes é de exclusão.

Delfina Carlos disse...

Tive a oportunidade de conhecer o movimento “Pais em Rede”, através da ação de formação que frequentei no início deste ano letivo, na ESELx. Confesso que “abanei”; a minha visão da escola é de dentro para fora e nesta formação tive a visão contrária: de fora para dentro. Constatei que os principais espaços educativos – família e Escola – nem sempre falam a mesma linguagem; os pais “acusam” a escola de meias verdades, de não serem ouvidos, do desgaste, do levar muito e trazer pouco… já a escola “acusa” os pais que é difícil captar a sua confiança, que muitos pais ainda não fizeram o luto, muitos estão pouco informados e outros não sentem vontade de se envolver…
Para mim, foi um privilégio trabalhar, debater, comunicar… com um grupo de mães que partilham a mesma angústia, a mesma ansiedade, a mesma vontade, a mesma determinação de exigir à sociedade em geral e à instituição escola em particular, o direito à realização dos sonhos para aquele filho, que embora “diferente”, acreditam que com a estratégia eficaz poderá ir longe acompanhando sempre de perto os pares do grupo/turma; mães que exigem um trabalho de cooperação; mães dotadas de competências, mães que exigem da escola o direito à igualdade de oportunidades, mães que conseguem fazer frente aos problemas do quotidiano e de uma forma generaliza conseguem a pouco a pouco a inclusão.

Fátima, fico feliz por saber que tb é uma destas mães.

Nunca desista dos seus sonhos!


:-)

MOOC INCTEC disse...

Cara Juliana,

Se não o consegue ver, possivelmente terá ocorrido algum problema na submissão. Quando isso acontecer terão de voltar a repetir a submissão.
Recomendamos que os comentários mais longos e elaborados sejam feitos em documento de texto (word, notepad...) e copiados para a caixa de comentários para não arriscarem a perda do trabalho. Essas reflexões poderão também constar do vosso e-portefólio.
Agradecemos o alerta para tentarmos resolver com novas submissões.

Hugo Santos disse...

Obrigado. A apresentação já tinha feito no dia 4 de Abril.

Valentina Cardoso disse...

Como vão

Pela primeira vez deixo aqui o meu comentário sobre a inclusão dos alunos.
E não querendo repetir muito do que já foi referido, começo por dizer que a inclusão é um estado de "alma" é uma filosofia de vida. Enquanto não acreditarmos nisto não é possível criar nas nossas escolas ambientes inclusivos.
Não basta mudar as leis, ter recursos... (que também são necessários, claro!). É fundamental que cada um de nós acredite e identifique as barreiras de modo a que estas possam ser derrubadas.

Por outro lado e numa perspetiva macro é fundamental que os nossos governantes mudem e tratem de implemental, seriamente, uma política inclusiva.

Valentina Cardoso disse...

Esqueci de vos dizer que finalmente já tenho a a minha apresentação pessoal que pode ser vista em http://www.slideshare.net/valcardoso1955/apresentao-mooc-valentina

Patrícia disse...

É de lamentar que ao consultar a pagina da DGE, cujo link está aqui, verifiquei que a nível dos Centros de Recursos TIC para a Educação Especial (CRTIC) referem que a rede cobre todo o país mas no link para o mapa, não aparece a região açores, onde trabalho. Também aí quando surge uma listagem com as escolas de referência para o ensino bilingue de alunos surdos, volta a não contemplar a região autónoma dos açores. Tenho o prazer de poder trabalhar numa escola (E.B.I. De Arrifes) em São  Miguel, que considero inclusiva e bem poderia ser um exemplo. É uma escola de referência para o ensino bilingue de alunos surdos, tem unidades especializadas para várias problemáticas, e as  respostas educativas mais diversificadas (hipoterapia, hidroterapia, terapia de fala, Psicomotricidade, desporto adaptado). Lamento que muitas vezes os "Açores não sejam de Portugal". 

Mosaico - Nadja Pinho disse...

Assim como Clara Barbosa, eu também não tenho experiência em sala de aula com educação de crianças com NEE, mas tenho convivido com professores e mães dessas crianças, numa troca constante de conhecimentos na busca de construir políticas públicas que venham oportunizar e preparar esse público para se inserir na sociedade e no mundo do trabalho. São muitas as vivências compartilhadas e essas demonstram que a grande barreira para a inclusão educacional inclusiva ainda é o preconceito que os adultos tem profundamente arraigado. Entre as crianças o que se observa é uma curiosidade natural de início e, em seguida, vem a aproximação/aceitação das diferenças, passando a um entrosamento natural e solidário. Longe da influência de adultos preconceituosos as crianças que não tem deficiência convivem e ajudam as crianças com deficiência a superar os limites que lhe são impostos. No Brasil, temos uma legislação avançada que preconiza a inclusão, mas ainda vai levar um tempo até que todos os princípios da educação inclusiva saiam do papel e sejam efetivados na prática de toda a comunidade escolar. As escolas públicas ainda carecem de ações administrativas e pedagógicas que permitam a permanência de crianças com NEE na escola com resultados satisfatórios. O número de alunos em sala de aula é elevado e fica quase impossível dar atenção e desenvolver um plano educativo individual para um aluno com NEE. No contraturno essas crianças dispõem de atendimento educacional especializado em uma sala de recursos multifuncionais, onde devem receber um atendimento individual que visa desenvolver habilidades e competências. As tecnologias (computador, laptop, tablet etc.) estão chegando às escolas, mas é preciso que os professores estejam preparados e atentos para fazerem a transposição didática, descortinando novas formas de ensinar e transmitir conteúdo, de forma a estimular uma aprendizagem prazerosa que acompanhe os avanços do mundo moderno.

Del disse...

Olá, sobre a questão: Da sua experiência pessoal e/ou profissional de contacto com crianças, jovens ou adultos com incapacidade e/ou deficiência que barreiras lhe parecem mais evidentes persistirem?

Estou parcialmente incapacitada para andar, moro no Brasil, em São Paulo e trabalho no Rio de Janeiro (600 Km) o que me deixou muito surpresa foi a consciência do quanto as cidades são inacessíveis, o acesso para as calçadas são altos, raras guias rebaixadas. Subir em ônibus impossível degraus muito altos, aeroportos despreparados, rodoviárias despreparadas. Não existe assento para quem não precisa de cadeira de rodas, mas também não pode ficar muito tempo em pé. A falta de educação sensível para a acessibilidade por parte de quem atende público é terrível. Certa vez foi uma batalha hercúlea conseguir que um funcionário da cia aérea descesse a rampa para eu subir no ônibus que levava ao embarque. Então, creio que são duas as grandes barreiras: o despreparo das cidades para a vida inclusiva do deficiente e a educação do olhar para as necessidades óbvias do deficiente.

MOOC INCTEC disse...

Cara Patrícia,
A razão de não constar na página da DGE qualquer CRTIC nos Açores ou na Madeira deve-se ao estatuto das Regiões Autónomas e não termos atribuições nesse âmbito.

Maria de Fátima Martins disse...

Boa noite a todos
Considerando a minha experiência pessoal e profissional, considero que existem ainda muitas barreiras à inclusão de crianças, jovens com incapacidade e/ou deficiência (NEE) nas escolas, tal como existem na sociedade!
No entanto, a maior parte delas, recursos humanos e materiais, formação e físicas/acessibilidade, vão sendo ultrapassadas. Persiste uma das maiores e de mais difícil solução: a atitudinal!
O paradigma da inclusão está na crença de que a diversidade é parte da natureza humana, a diferença não deve ser vista como um problema, mas como uma riqueza.
Quem ganha com a inclusão?
Ganhamos todos! Ganham crianças, jovens ou adultos com incapacidade e/ou deficiência que têm a oportunidade de se desenvolver na comunidade escolar e social a que pertencem, de conviver com os seus pares e beneficiar de modelos de ação, de uma aprendizagem integrada e que os estimula. Podem ajudar e ser ajudados a lidar e a superar as dificuldades. Ganham as outras crianças que aprendem a conviver com a diversidade e a respeitar a diferença e serão certamente adultos melhores, considerando o ideal de uma sociedade humanista. Ganham os educadores/professores que enriquecem a sua formação. Ganham as famílias que passam a ver o seu filho como um cidadão que tem o direito de partilhar dos recursos da comunidade. Ganha a comunidade como um todo pois torna-se um espaço mais democrático, que recebe e acolhe todos os seus membros com igual dignidade.
Mas temos de acreditar que, como diz David Rodrigues “a Inclusão é sempre um caminho. Não é algo que se tem ou que se é: sempre teremos caminho a fazer para a inclusão sobretudo se olharmos para as opções que são dominantes e prevalentes na nossa sociedade. O facto de termos muito que caminhar não nos deve fazer esmorecer no caminho”.

Paula Sousa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Paula Sousa disse...

Olá Cristina!

Muitos são os que parecem concordar com a escola inclusiva, mas eu questiono-me quantos saberão verdadeiramente o seu significado e quantos não confundirão integração com inclusão!

Valentina Cardoso disse...

Boa tarde

Aqui vai o meu primeiro trabalho, realtivo ao tópico 1- Políticas de Inclusão e Medidas Educativas para as NEE
http://mind42.com/mindmap/c7e8ef32-96a1-40e7-86da-966213d19424

tteresasablog disse...

Boa tarde.
O meu trabalho relativo ao módulo 1 encontra-se no seguinte link:
http://prezi.com/3uzcditnhgh1/da-exclusao-a-inclusao/?utm_source=prezi-view&utm_medium=ending-bar&utm_content=Title-link&utm_campaign=ending-bar-tryout
Continuação de um bom trabalho a todos

MOOC INCTEC disse...

Cara Valentina,
O seu mapa concetual não está em modo público. Veja se acionou «published».

paulacris disse...

Boa tarde a todos,

Do meu ponto de vista, as maiores barreiras ligam-se à cultura de escola que muitos já abordaram também (o modo como as pessoas vivem e sentem a organização à qual pertencem criando empatia, relações de pertença) devido a vários fatores:
1. a formação dos professores não contemplar na formação inicial UC da EE;
2. as escolas não compreenderem, de uma vez por todas, que precisam de dar formação com caráter de obrigatoriedade ao pessoal docente, não docente pais e Enc.Ed. em cada ano letivo e que esta disseminação alterará o modo como olham a EE e os seus alunos;
3. a cultura de escola decorrente dos constrangimentos anteriores faz com que se lide com crianças NEE da forma que todos sabemos: indiferença, ineficácia de respostas, alheamento, empurram-se os alunos de uns anos para os outros; criam-se guetos/ unidades que os retiram da sala com respostas pouco consistentes;
4. as escolas não apostarem, no âmbito das suas contratações, na seleção de candidatos com mais experiência quando falamos em unidades, por exemplo;
5. a distribuição do serviço não contemplar a formação inicial dos docentes para a atribuição de alunos tendo em conta o ciclo de ensino com o seu perfil de funcionalidade (por exemplo, para intervir na dislexia existem grupos mais adequados do que outros);
6. não bastam as áreas funcionais para as AVD’s, que muitas escolas nem sequer implementaram ainda, mesmo com recomendações da IGE, para os seus alunos CEI, mas é urgente criar espaços de aprendizagem pré-profissionalizante para a vida ativa em torno de ateliers e laboratórios de TIC, Cozinha/pastelaria; carpintaria; mecânica; estética/cabeleireiro, entre muitíssimos outros auscultados os interesses dos alunos e famílias, o seu perfil vocacional, etc etc.

Cumprimentos,
Paula

jose luis pissarro disse...

Boa a noite a todos,

Estive a ler alguns textos sobre a deficiência através da História e estive a experimentar o Capzles para fazer uma cronologia de alguns factos.

http://www.capzles.com/3819e8b7-dd50-47cc-92f2-3ab604e7793d/

Incorporei no meu e-portefólio: http://jlpissarro.blogspot.pt/p/blog-page_30.html

Ana Figueiredo disse...

A minha experiência profissional e contacto com alunos com NEE ocorreu durante a minha formação (2.º Ciclo) no âmbito de duas unidades curriculares:
1- Prática de Ensino Supervisionada - O estágio decorreu numa turma do 2.º Ano na qual estava presente um aluno com NEE, diagnosticado com Síndrome de Cornélia de Lange. Durante a realização do estágio as principais barreiras foram a identificação de estratégias e de medidas educativas a adotar de modo a realizar-se uma verdadeira inclusão.
2- Problemas de Desenvolvimento e de Aprendizagem - esta unidade curricular possibilitou o contacto com documentos de referência, assim como permitiu identificar casos específicos de dificuldades relativamente ao desenvolvimento ou à aprendizagem.
No entanto, a realização de um trabalho curricular foi o momento mais gratificante, na medida em que realizámos um contacto com uma unidade de ensino estruturado para a educação de alunos com espectro de autismo. Tendo deste modo contactado com as crianças, tomado conhecimento de algumas medidas educativas adotadas e observado a organização do espaço e do tempo das atividades diárias de cada aluno e respetiva estrutura física da sala TEACCH.

Continuação de um bom trabalho para todos!

Antonia Espirito Santo disse...

Não encontro nem a minha apresentação nem o meu e-portefólio na área dos portefólios... http://mooceportefolioantoniaespiritosanto.blogspot.pt/
Será que me falta fazer alguma coisa? Não tenho muita facilidade nestas andanças...

Educação Especial - Agrupamento de Escolas de Sande disse...

Partindo do tema «Políticas Inclusivas e Medidas Educativas para Alunos com NEE», enquanto professora de Educação Especial, vou tecer algumas considerações a partir de alguns textos consultados.

No domínio da Educação Especial, vivenciamos um momento em que mundialmente se fala na inclusão escolar de alunos com necessidades educacionais especiais, no sistema de ensino regular. A legislação é explícita quanto à obrigatoriedade de acolher e matricular todos os alunos, independente das suas necessidades ou diferenças. Entretanto, não é suficiente apenas esse acolhimento, mas que o aluno com necessidades educativas especiais tenha condições efetivas de aprendizagem e desenvolvimento das suas potencialidades. Não basta integrar, é necessário incluir.

Como defende Correia (2008) “não há nenhuma criança que não queira aprender” (p.7), prescrevendo “a classe regular de uma escola regular o local ideal para as aprendizagens do aluno com Necessidades Educativas Especiais, na companhia dos seus pares sem NEE” (idem, ibidem). No entender deste pedagogo, uma escola inclusiva é, assim, “uma escola onde toda a criança é respeitada e encorajada a aprender até ao limite das suas capacidades”. (idem, ibidem)
Considerando que os fundamentos teórico-metodológicos da Educação Inclusiva se baseiam numa conceção de educação de qualidade para todos e no respeito pela diversidade dos educandos, é imprescindível uma participação mais qualificada dos educadores para o avanço desta importante reforma educacional, para o atendimento das necessidades educativas de todos os alunos, com ou sem deficiências.

Neste sentido e para que a escola se reja pelo princípio da inclusão, há que envolver toda a comunidade educativa: professores do ensino regular, professores da educação especial, pais, órgãos de gestão, assistentes operacionais, psicólogos, médicos, alunos e equipa da educação especial.
Os professores devem encarar e alterar atitudes nas escolas, de modo a desenvolver novas práticas, dando lugar à inovação, ao respeito pela diferença e heterogeneidade, tendo em conta a individualização.

Nesta linha de pensamento, é fundamental a formação de docentes, para uma mudança de atitudes. Necessitamos cada vez mais de atitudes favoráveis face à inclusão escolar de crianças com NEE para que as nossas escolas se tornem verdadeiramente inclusivas. A inclusão de crianças com deficiência no percurso normal da educação mantém-se como sendo um objetivo pedagógico para numerosos países e uma orientação relevante para todas as organizações internacionais. A Declaração de Salamanca (1994) defende que as Escolas devem ajustar-se a todas as crianças, independentemente das suas condições físicas, sociais, linguísticas ou outras. Neste conceito devem incluir-se crianças com deficiência ou sobredotadas, crianças da rua ou crianças que trabalham, crianças de populações imigradas ou nómadas, crianças de minorias linguísticas, étnicas ou culturais e crianças de áreas ou grupos desfavorecidos ou marginais (UNESCO, 1994).


A inclusão é um projeto partilhado... Empenhemo-nos nele!


Bibliografia:
Correia, M. (2008). Inclusão e Necessidades Educativas especiais. Porto: Porto Editora.

UNESCO. (1994). Declaração de Salamanca e enquadramento da ação na área das necessidades educativas especiais. Salamanca: UNESCO. Acedido a 8 de novembro de 2012 em http://redeinclusao.web.ua.pt/files/fl_9.pdf

Educação Especial - Agrupamento de Escolas de Sande disse...

Boa noite!

A minha experiência subscreve o que subinha.

Cps

ms disse...

Boa noite!
Concordo com a Fátima em tudo.
Saliento que a escola é uma amostra da sociedade e esta é heterogenia. Verificamos na escola como na sociedade a necessidade de promover condições a todos e respeitar os direitos de todos. É possível e desejável, as escolas darem respostas adequadas à maioria das situações, mas para tal é necessário apetrecha-las de recursos. Os agrupamentos verticais deviam possibilitar prever os recursos necessários e adequados à problemática de cada aluno, podendo prever cada situação, dado que os alunos já estão sobre a alçada do ME e dos agrupamentos desde o início, na maioria sinalizados desde a intervenção precoce. Não se entende que os recursos e condições para todos e cada um não estejam previstos ou "conseguidos" desde o início. Como dizia o DR. David Rodrigues uma sociedade que sabe olhar pelos elos mais fracos tornasse mais forte.
Existem muitas barreiras, burocráticas e escassez de recursos, físicos e materiais e humanos.
Resta-me dizer que com as atuais condições, da experiência que eu tenho a vontade impera e nas escolas promovem-se experiências e conquistas enormes, para os jovens com limitações e para toda a comunidade escolar. Mesmo as resistências que existem nesse meio e comuns a toda a sociedade vão sendo minoradas com a presença e o trabalho desenvolvido por todos.

Mosaico - Nadja Pinho disse...

Hoje, detive-me na leitura do Manual de Apoio à Prática da Educação Especial e gostaria de saber se na prática os professores contam com todo o apoio previsto em lei e detalhadamente descrito nesse manual, tanto no que diz respeito à referenciação, quanto às reuniões de equipe e elaboração e utilização do PEI e do PIT, instrumentos que requerem acompanhamento e avaliação permanentes do aluno com NEE. Na verdade, quero dirigir esse questionamento aos professores que estejam atuando nesta área, para que possamos ter a verdadeira dimensão do que está acontecendo na prática. O manual é muito bem elaborado e de leitura compreensível.

ms disse...

Fantástico, não conhecia ainda este programa.
Gostei!! :)
Obrigada pela partilha!

Sara Santos disse...

Boa noite.
Dos anos de experiência que tenho e de várias escolas e alunos por onde passei, chego à conclusão que a maior barreira é a barreira humana. A legislação até pode estar bem elaborada e haver planos para tudo. Mas não é um papel que inclui um aluno com NEE ou com deficiência. Mesmo escolas fornecidas com bons equipamentos não podem fazer nada sem os devidos meios humanos.
No entanto, na maioria dos estabelecimentos de ensino, os auxiliares não têm a devida formação para poderem lidar com estes alunos, pois estão apenas a manterem-se ocupados para nao ficarem sem o subsidio de desemprego. E tratam as crianças NEE como quaisquer outra sem os mesmos problemas.
O aluno NEE é integrado numa turma de ensino regular e lida com a aceitação e compreensão de alguns coleguinhas, e com o gozo e desprezo de outros.
O professor da turma, mesmo que tenha alguma formação para lidar com estes casos, tem que ter a atenção dividida por todos, não sendo sempre possível dar o acompanhamento devido ao aluno NEE. Existem professores do Ensino Especial que vão à sala e estão com o aluno, e lhe proporcionam atividades de acordo com a sua capacidade de aprendizagem e desenvolvimento. No entanto, por exemplo, quando vem o professor da AEC, nem sempre é informado da totalidade das implicações dessa NEE. Muitas vezes não tem a devida preparação para lidar com esses casos e nem sempre é fácil incluir o aluno NEE nas atividades.
Também existe o fator parental, que por vezes, vê a deficiência da criança como uma limitação colossal e rotula a criança, achando que ela nunca será capaz de evoluir muito...e não dá continuidade em casa ao trabalho desenvolvido na escola.
Tenho um caso prático e real de ter tido uma aluna NEE que não falava. A sua forma de comunicação era através de Makaton combinada com alguma linguagem gestual.
Foi muito difícil integrar a aluna nas atividades de Música juntamente com os alunos sem dificuldades, nem sempre era possível. Tive algum acompanhamento da parte da professora do Ensino Especial, mas não o ideal pois era apenas uma professora para acompanhar vários alunos em várias turmas da escola e agrupamento. Muito do que aprendi e que me possibilitou trabalhar com esta aluna foi através dos seus colegas e de trabalho de pesquisa.
Penso que a Música tem muito potencial no auxílio ao desenvolvimento de uma criança. Mas deve ser devidamente adaptada. Nas universidades, a não ser que sigamos a especialidade, não nos preparam para isso.

Acima de tudo, cabe-nos a nós quebrar as barreiras pessoais que colocamos, e tentar passar a mensagem de que existe igualdade na diferença.
Atentamente,
Sara

José Fernando Rodrigues disse...

Inclusão vista pelo lado de fora!
Vamos tentar imaginar os impactos da inclusão para quem não necessita de ser “incluído”. A escola, depois da massificação trazida pela escolaridade obrigatória e “gratuita” trouce um dos maiores desafios que, atualmente, já foi assimilado: a diversidade. Passaram a ir à escola ricos e pobres, negros, brancos, ciganos, filhos de estrangeiros, … enfim, toda uma riqueza étnica, racial e cultural que só veio enriquecer as nossas. O balanço tem sido amplamente positivo e a escola só ganhou com esta “mistura”.
Agora pensem nos impactos positivos que um deficiente pode provocar nos seus pares. A minha experiência diz-me que as crianças e os jovens são os primeiros a abrir as portas da inclusão a um colega com alguma diferença. Mesmo com um apontamento mais ou menos cruel, típico da idade, aqui ou ali, penso que o balanço é bastante positivo. A presença de alunos NEEs nas escolas torna os seus pares ditos normais mais pacientes, tolerantes, compreensivo pois conhecem realidades que, de outro modo, ficariam na ignorância. Os nossos alunos ditos normais apercebem-se das pequenas vitórias dos seus colegas especiais e refletem sobre a pequenez, fragilidade e finitude do ser humano o que, numa idade em que acham que são intocáveis e imortais, não lhes fica nada mal.
E depois como queremos fazer nós a inclusão se escondemos os alunos NEEs em salas de apoio, em instituições ou em casa dos seus pais? Os deficientes têm que vir para a rua, têm que se mostrar à sociedade, têm que vivenciar sucessos e fracassos como qualquer cidadão. A sociedade tem que sentir que eles existem, que eles estão ali para o bem e para o mal. A inclusão fortalece a sociedade e os deficientes. A escola é a primeira micro sociedade dos cidadãos de amanhã. A tolerância e o respeito pela diferença só se conseguem no meio da diversidade.
Há problemas? Há. Há falta de recursos? Há. Há falta de vontade política? HÁ. Há constrangimentos na formação de docentes e técnicos? Há. … Mas, como disse alguém aqui nos comentários, para se defender e praticar a inclusão é necessário acreditar-se nela. E eu acrescento que os primeiros a acreditar na inclusão devem ser aqueles que fazem as leis e nos dão os meios para trabalharmos.
Se calhar eu sou o mais cético aqui do grupo mas acredito em momentos de inclusão e penso que os casos mais “profundos” devem passar pelas escolas regulares mesmo tendo instituições de retaguarda que os podem apoiar, apoiar as suas famílias e ensinar a escola a tomar conta deles. Um aluno mesmo com uma deficiência mais complexa têm muito a ganhar ao aparecer na escola, comer no refeitório com os seus colegas da turma - mesmo que para isso tenha de ter ajuda -, ir às festas e atividades lúdicas da escola, ouvir a vozearia da pequenada no recreio, … enfim, … socializar. As antigas escolas de educação especial não podem ver a inclusão como uma inimiga que lhes “rouba” clientes mas como uma oportunidade para - elas também - se adaptarem aos tempos. O nosso país é tão pequeno mas existem tantas “capelinhas”! Isso ficou bem patente no programa Prós e Contras da passada segunda-feira. Há associações e instituições para isto e aquilo, para tudo e mais alguma coisa e às vezes penso que andamos todos a trabalhar um para cada lado mas sei que a realidade, felizmente, não vai sendo essa.

Filipe Santos disse...

Olá a todos,

Eu não tenho qualquer experiência de trabalho em Escolas Especiais. Sou professor numa Instituição de Ensino Superior e, ao longo dos anos, foram poucos os alunos com Necessidades Educativas Especiais que passaram por mim.

Lembro-me que quando comecei a minha atividade profissional (há 15 anos) a minha escola ainda lidava de uma forma "ad hoc" com cada aluno (ou pelo menos era essa a minha perceção) não parecendo existir uma estratégia bem definida. Lembro-me de existir um funcionário que tinha a responsabilidade de "avisar" os professores que iam leccionar turmas com alunos com NEE, prestando algum apoio caso fosse necessário (eu, por exemplo, tive uma aluna com 20% de visão e o funcionário arranjou-me um monitor de 19 polegadas para ela trabalhar). O funcionário também procurava articular certos pormenores dos alunos com os serviços apropriados (exemplo: existindo uma turma que tinha uma aluna invisual, procurava-se avisar a comissão de horários para não colocar as aulas das várias disciplinas dessa turma no 1º piso da escola).

Hoje a minha escola, sendo uma ESE, acompanhou a "evolução dos tempos" e tem vários serviços ligados a esta área em especial: uma unidade de investigação (http://iact.ipleiria.pt/), um centro de recursos digitais (http://www.crid.ipleiria.pt/) e formação especializada, pós-graduações e mestrados em Educação Especial e um Mestrado em Comunicação Acessível. Há também um serviço de Apoio ao Estudante (http://sape.ipleiria.pt/) que publica documentos para auxiliar tanto os alunos como os professores a trabalhar com os alunos com NEE (ver, por exemplo, http://sape.ipleiria.pt/2014/02/24/para-apoiar-estudantes-com-nee/) . A nossa Unidade de Ensino à Distância também tem especialistas em criação de materiais digitais acessíveis, fornecendo formação regular aos docentes sobre esta área.

Beatriz Costa disse...

Todos sabemos que as barreiras discriminatórias que impedem a plena participação e a inclusão social das crianças, jovens ou adultos com incapacidade e/ou deficiência persistem de uma maneira generalizada: as barreiras arquitetónicas, as barreiras comunicacionais, as barreiras atitudinais e as barreiras sociais. Estas barreiras determinam os fatores ambientais em que a crianças/jovem/adulto vive e evolui. Como refere a Professora Manuela Sanches Ferreira em https://www.youtube.com/watch?v=9l2mYhJRaTM o problema está na qualidade dos contextos e essa qualidade depende do grau de participação da criança e do jovem com NEE. Portanto, é urgente identificar as barreiras e criar as condições para as neutralizar.
Das referidas barreiras, a que mais me preocupa como cidadã e como profissional são as barreiras atitudinais – são estas a raiz de todas as outras. Enquanto assistirmos à grande preocupação dos estereótipos, das classificações, dos rótulos, estamos a promover atitudes de segregação e a gerar a exclusão. Ao falarmos de inclusão estamos a pressupor a exclusão e esta surge e funde-se nas barreiras atitudinais. Falemos antes de uma educação inclusiva – uma educação com todos e para todos, uma escola onde todos efetivamente participam.

Docente de Educação Especial Vanda Simões disse...

Olá a todos.
Apesar de já reunir vários anos de serviço no grupo 100 de educação pré-escolar, este ano pela primeira vez e após formação especializada, fiquei colocada na educação especial. Tenho-me sentido muito sozinha e desamparada porque estou numa escola secundária não agrupada que tradicionalmente está vocacionada para alunos que queiram prosseguir estudos e estabelece como prioridade os resultados académicos. Sou a única docente de educação especial para um conjunto de cerca de 22 alunos com NEE, que evidenciam tipologias de asperger, surdez, perturbação de hiperatividade e deficit de atenção, dislexia, trissomia 18 e perturbações do comportamento e emoções. Apesar da maioria dos meus alunos não apresentarem tipologias "graves", que comprometam em larga medida a sua atividade e participação, a verdade é que se encontram no ensino regular: 3º ciclo do ensino básico e ensino secundário. Uma das grandes dificuldades que tenho vindo a sentir está relacionada com as adequações curriculares. A maioria dos professores não sabe fazê-las, considera-as inadequadas face à perspetiva de realização de exames nacionais e ao pretendido prosseguimento de estudos. Muitos pais não abdicam do ensino regular mesmo confrontados com as limitações dos filhos e exigem a aplicação efetiva das adequações curriculares e no processo de avaliação. Tratando-se de alunos com PEI, muitos professores afirmam não poder retirar conteúdos ao programa, terem conteúdos muito exigentes que exigem inevitavelmente capacidade de abstração e inferência. No secundário afirmam não poder existir adequações curriculares e o tipo de provas ter de incluir inevitavelmente questões de desenvolvimento.
Tenho procurado fazer muita formação complementar e aprofundar estas questões. Já percebi que é um terreno sensível, muito pouca gente quer falar abertamente!
A participação neste curso foi mais uma tentativa de poder aprofundar estas questões, pois diariamente debato-me com um constrangimento... há poucos colegas com alunos NEE no ensino secundário!

Beatriz Costa disse...

Penso que estas "NEE ligeiras" como refere, não têm enquadramento no DL nº 3/2008, de 7 de janeiro. Como profissionais devemos distinguir as NEE de caráter temporário das NEE de caráter permanente.
Um aluno com NEE de caráter temporário necessita de uma intervenção, por vezes, multidisciplinar atempada, um apoio pedagógico adequado e sistemático, mas não terá esta garantia com a elegibilidade para a educação especial e com as medidas educativas que esta integra. De facto, concordo com estes pais, os alunos apenas ficarão com a certeza de uma classificação e de um rótulo.

MOOC INCTEC disse...

Cara Antónia,
O e-portefólio já havia sido registado e foi agora colocado no Blendspace. Quanto à apresentação não temos registo. Pode enviar o endereço eletrónico (URL)?

Paula Robalo disse...

A minha posição sobre esta matéria é um pouco controversa...Mas que vai de encontro a muitos dos comentários já colocados...O que é de facto a Inclusão??? Esta existe ou não, nas nossas escolas e na nossa sociedade??? Estarão os intervenientes no processo de inclusão preparados e empenhados para que esta seja, de facto uma realidade atual??? Estará o processo ensino/aprendizagem vocacionado para estes alunos??? Ética e formalmente a resposta a todas estas questões é positiva.. existirá, no entanto, algum distanciamento entre a resposta formal e a resposta real???
Evidentemente que sim.... As escolas não dão a devida resposta a estas crianças de características tão peculiares...umas vezes por ignorância, outras simplesmente por falta de meios/recursos/formação....Há ainda muito a fazer neste campo, podendo mesmo afirmar que muito falta para que a Inclusão vença esta batalha...

Paula Robalo disse...

Boa tarde Vanda...como a compreendo!!! É de facto pelos motivos por si apresentados (entre tantos outros, obviamente) que coloco a questão de que se o Sistema de Ensino em Portugal está de facto vocacionado para estes alunos e a resposta é efetivamente NEGATIVA...Ora vejamos, como podemos nós adequar o currículo a cada um destes jovens, se vem o Ministério e obriga a que todos façam exames, sem exceção?? Têm-se conseguido algumas exceções, nomeadamente através da realização de exames a nível de escola, mas para alunos que apresentem um grau considerável de défice cognitivo....Há ainda a possibilidade dos cursos profissionais...mas as ofertas das escolas neste campo, não dependem do "gosto" nem da apetência dos alunos, mas do que é decidido em reunião a nível distrital....Contudo, os colegas são obrigados a fazer adequações curriculares se estas constarem nos respetivos PEI´s, sem nunca retirarem conteúdos programáticos...o que vai dar ao mesmo...Essa é entre outras, uma temática pertinente que deveria ser seriamente, por todos debatida...

Antonia Espirito Santo disse...

A apresentação encontra-se em http://prezi.com/ffeif37gv1pb/?utm_campaign=share&utm_medium=copy&rc=ex0share

Antonia Espirito Santo disse...

Estou completamente de acordo quer com a Paula quer com a Vanda, pois na minha opinião quando se fala em barreiras à inclusão e participação dos alunos com NEE, o ponto de partida da discussão deveria ser este...

Paula Robalo disse...

Em resposta à Prof.ª Manuela Sanches Ferreira, parece-me que as grandes barreiras á Inclusão começam pelo facto de que quem estabelece as regras e as leis neste país, não estar efetivamente no "campo", tendo por isso um enorme desconhecimento da realidade do nosso país e consequentemente do estado das escolas e dos nossos alunos...tal como já referi em outro post, uma das medidas presentes no 3 é a de adequações curriculares, altamente controversa se tivermos em conta a definição de Currículo e o objetivo da aplicação da medida que não pode por em causa os conteúdos gerais do mesmo.
Outra das medidas que coloca em causa a qualidade de ensino é a de se ter alargado o número de alunos por turma; como poderá um professor diferenciar os métodos de ensino com um número de alunos cada vez maior??? Como poderá aplicar uma pedagogia diferenciada e personalizada a todos os alunos, inclusive alunos NEE???



Outra das barreiras é efetivamente a que se prende com as atitudes de todos nós, enquanto intervenientes do processo de ensino. A maioria dos docentes não adequa os métodos e as estratégias aos alunos NEE´s ( por não saber ou por dar trabalho acrescido), os auxiliares não estão vocacionados, nem preparados para lidar com estes alunos e os diretores, enquanto representantes das escolas, não apresentam soluções para determinados casos, que impliquem medidas diferentes, nomeadamente a possibilidade da matricula em apenas algumas disciplinas ou a existência de áreas curriculares diferentes, entre outros...

As empresas, instituições e sociedade civil, apesar de apresentarem uma maior preocupação para com estes jovens especiais, esta nem sempre corresponde à vontade expressa da sua integração profissional.

Isabel Moura disse...

Olá a todos,
Gostaria de vos dizer que a minha intervenção com professora no âmbito do acompanhamento de alunos com NEE é muito residual. No entanto, ao passar por diferentes escolas consigo identificar casos que nitidimente são aquilo que alguns referem, o construir de turmas de 20 alunos, por dar jeito aos professores e o poder-se justificar com a inclusão de um aluno que necessita NEE e nem sempre este ser acompanhado de forma adequada. Mas as razões desse mau acompanhamento são diversas e nem sempre se resume “ao bom que é ter uma turma com apenas 20 alunos”. Deixem-me que partilhe uma situação vivenciada recentemente. Em conselho de turma estava-se a analisar o comportamento completamente desadequado de um conjunto de alunos em sala de aula, que tem contribuído para um aproveitamento pouco atisfatório dos mesmos. Face ao que estava a ser equacionado eu propus tutoria para alguns desse alunos, por me parecer a solução mais adequada. Foi-me dito que na escola não haviam tutorias... Com leis que não são acompanhada dos devidos recursos humanos e materiais é impossível resolverem-se determinadas situações. Outras situações houve onde uma psicóloga tem de “racionar” as suas horas para um determinado número de casos “realmente” graves. “Sem ovos não se fazem omeletas”.
Concordo com o que a Carla Ferreira refere “muitos agentes educativos que não sabem sequer qual a legislação em vigor” e nestes eu me incluo. Não por falta de interesse em conhecê-la, mas por que me perco num emaranhado de decretos e artigos que cada vez mais me impelem a detestar ler legislação e a remeter esta prática para segundo plano. Até porque, no ano a seguir, tudo muda...

Isabel Moura disse...

Porque intendo que uma coisa é a minha prática lectiva e outra é a formação que devo ter para saber lidar com os meus alunos, embora uma esteja intimamente relacionada com a outra. Todos os dias sai legislação nova, em diferentes áreas. Todos os anos mudam as regras do jogo na contratação de docentes e na sua avaliação, todos os anos um professor de informática tem de leccionar disciplinas diferentes, fazer planificações e recursos pedagógicos diferentes. Falando um pouco de mim, todos os anos tenho que “assimilar” um regulamento interno de escola novo, pois raramente fico numa escola onde já leccionei anteriormente, nunca sei, no início de cada ano lectivo, a que ciclo vou lecccionar ou a que ano, se vou leccionar no ensino regular, no profissional, a CFE ou PIEF (e já aí está mais um, o vocacional). Aquilo que faço, em cada ano lectivo que começa, é olhar para os meus alunos e tentar, com aquilo que tenho ao meu alcance ajudá-los, integrá-los, falando com outros colegas mais experientes e com os técnicos que os acompanham. Tento ir pela parte da atitude, fazendo o que penso ser melhor para os meus alunos todos, os que necessitam de NEE e os outros.
A Cristina Moreira diz e bem que “Há uma falta de formação dos professores de ensino regular, que acabam por ter alunos com NEE sem terem qualquer noção de como podem adaptar o ensino para irem ao encontro das suas necessidades” e ”A discriminação por parte dos colegas também é um factor a ponderar, e estas questões devem ser trabalhadas junto das turmas, como o direito à igualdade e não-discriminação, e ainda fazer a turma perceber quais as limitações do aluno e como o podem ajudar pode ser um factor positivo.” Concordo e sinto essa necessidade de formação, por isso me inscrevi nesta. Sou pela inclusão dos alunos com NEE numa escola pública de qualidade, que permita a todos desenvolver aptidões e capacidades. Subscrevo o que a Maria de Fátima Martins menciona “Numa sociedade que se quer democrática, humanista e inclusiva, a escola e muito particularmente a escola pública, tem de saber responder à heterogeneidade, tem de encontrar respostas e aprender com a riqueza da diversidade, estando aqui incluídas TODAS as diferenças: sexo, religião, etnia, raça, doença e limitações/deficiências!”. Faço com a minha prática, apesar de alguma “ignorância legislativa” contribuir para uma escola verdadeiramente inclusiva, na qual acredito. Sei da dificuldade em a atingir o designío mas julgo que é este o caminho. Cada alunos é um caso, tem necessidades e características próprias que precisamos respeitar.
Para concluir, permitam-me que vos diga aquilo que penso, quando houver vontade política em fazer da escola pública uma entidade inclusiva, cursos como estes farão parte da formação base de qualquer professor, técnico ou operacional educativo. Teima-se investir em exames e deixar alunos sem um verdadeiro direito a uma educação de qualidade. A atitude individual de cada agente educativo é dificil de pôr em prática quando o próprio MEC em vez de promover essa mudança, elabora leis fantásticas (algumas) e retira, ano após ano, os recursos necessários à sua prática efectiva. Insiste-se em começar a casa pelo telhado...

Isabel Moura disse...

No último parágrafo queri ter escrito: "A mudança da atitude individual de cada agente educativo é dificil de pôr em prática quando o próprio MEC em vez de a promover, elabora leis fantásticas (algumas) e retira, ano após ano, os recursos necessários à sua prática efectiva. Insiste-se em começar a casa pelo telhado...

Isabel Moura disse...

COncordo com o que mencionas. Embora pense que o problema não será o facto de a legislação permitir a inscrição de alunos com NEE em qualquer escola mas sim o facto de qualquer escola não estar habilitada para o receber. O que referes relativamente ao um sistema misto para casos muito extremos parece-me perfeitamente razoável. Mas nunca descorando a socialização com os outros, esta é de salutar e de promover.

Helena Feijão disse...

Olá
Concordo com esta linha de intervenção, a escola é um dos espaços da sociedade onde todos os alunos devem poder usufruir, no entanto colocam-se questões muito polémicas como a forma de transição e as condições que não foram dadas às escolas. Foi o que senti quando tive a feliz oportunidade de abrir uma unidade de apoio à multideficiência, foram 4 anos de muita luta para podermos ter condições mínimas, dadas as necessidades não só escolares mas também de saúde. Ainda assim penso que foi muito importante esta inclusão, sim eu falo em inclusão na minha experiência, mas para isso existiram muitos esforços de todas as pessoas envolventes. Concordo com a colega Fátima quando refere a importância desta inclusão para as crianças sem NEE pois elas aprendem a ser mais tolerantes, amigas, compreensivas e acima de tudo aprendem que todos têm o direito de ir à escola assim como todos têm o direito de usufruir da comunidade, estes alunos sabem lidar com as pessoas com NEE de uma forma que nós não sabemos, pela simples razão de os teres "escondido" dos olhos da sociedade....Esta experiência positiva passou-se no 1º ciclo, ao transitarmos para o 2º ciclo a panorâmica mudou um pouco, penso que a rotina deste nível de ensino aliada ao desenvolvimento cognitivo dos seus pares faz aparecer aqui uma nova barreira, a minha experiência diz-me que são 2 fases completamente distintas e nesta segunda a inclusão é um pouco mais difícil de se conseguir...

Helena Feijão disse...

Olá Isabel
Concordo com estas limitações por parte dos professores, também sou da opinião que o panorama do ensino em geral não facilita em nada a tarefa dos professores e muito menos as aprendizagens dos alunos, esta mudança constante é como um vulcão em ebulição para o ensino dito normal, quando a isso acresce o facto de termos de dar resposta a ensinos diferenciados o cenário piora um pouco mais....Estas são as limitações e para mim condicionantes da dificuldade de uma boa inclusão, e apesar de ser a favor da inclusão e de ter tido uma experiência positiva como referi noutro post, também senti que poderíamos ter posto em causa todo o trabalho por estes fatores de contratações, exigências de avaliação de docentes, mudanças ou falta de pessoal auxiliar....No entanto penso que nunca podemos desistir mas sim consciencializar as nossas instâncias superiores e fazer o que está ao nosso alcance pelos alunos que temos a cada ano...como todos sabemos não é nada fácil de o fazer ...

Paula Alves disse...

Como professora de educação especial desde 1987 gostaria de apresentar algumas reflexões sobre a escola inclusiva a partir do cruzamento com os diferentes documentos nacionais/ internacionais e a minha prática (intervenção direta; coordenação; investigação; funções técnico pedagógicas; intervenção precoce; representante dos serviços ao nível local e regional):

Paula Alves disse...

(continuação da reflexão anterior):
1- A inclusão é um processo logo não pode deixar de ser trabalhado no quotidiano, a todo o momento, por todos os que pertencem às comunidades educativas de diferentes níveis;
2- A formação é essencial. Ao nível da formação inicial (e na minha óptica não é apenas para os futuros docentes mas também para os futuros médicos, advogados, arquitetos, etc...profissões que, de alguma forma, podem ajudar a fazer a diferença - arquitetos que se esquecem das acessibilidades num edifício, advogados que não têm o conhecimento suficiente para exigir, dos poderes políticos o respeito que todo o cidadão merece, médicos que não escutam/ informam a família...);
Ao nível da formação contínua - um processo de inclusão não é fácil e a escola está assoberbada de tarefas burocráticas que dificultam o trabalho em equipa, a investigação, a reflexão sobre as práticas;
3- A legislação em vigor deve ser revista, analisada, debatida, melhorada e...posta em prática. Muitas vezes a lei não se cumpre e as escolas continuam com falta de recursos de todos os níveis. Uma unidade de ensino estruturado, por exemplo, necessita de pessoal docente, assistentes operacionais, materiais ligados às metodologias de intervenção com alunos com perturbações de espectro do autismo...tal como para outras problemáticas é necessário criar dinâmicas de trabalho conjunto; estudos de caso com os diferentes técnicos que estão envolvidos com os alunos, com a família...e, presentemente, este trabalho não se pode realizar;
4- É necessário um investimento na formação dos assistentes operacionais para o seu papel de apoio à inclusão...é uma tarefa da escola, não de um grupo profissional...
5- As direções têm de ser envolvidas/ receber formação/ monitorizar as diferentes respostas/ analisar, em conjunto com os envolvidos no processo educativo dos alunos, as necessidades do agrupamento para que este seja verdadeiramente inclusivo.

Paula Alves disse...

Os normativos legais, as assinaturas de declarações internacionais não querem dizer nada se na prática, no dia à dia das famílias, no dia à dia da escola, não se verificar que o que está no papel faz parte do quotidiano dos serviços, da comunidade, da relação com o outro.
É necessária uma reflexão constante e a diferentes níveis para que a escola seja, verdadeiramente, inclusiva. E quando o for...talvez a sociedade o seja também...enquanto isso a formação e a reflexão diária são elementos essenciais do processo.
A pobreza, o desemprego, a pouca qualificação de uma sociedade funcionam como barreiras a uma escola inclusiva.
[Nós saberemos que a educação inclusiva foi completamente atingida quando designações como "escola de inclusão", "sala de aula inclusiva", já fizerem parte do vocabulário educacional. A inclusão somente sobrevive como um assunto enquanto alguém é excluído.] Giangreco, 1977

Paula Sousa disse...

Olá Ana Paula!

Concordo com o que referiu. A inclusão não se constrói por decreto. A barreira humana é, sem dúvida, um dos seus maiores entraves e continuará a sê-lo se não houver uma mudança de mentalidades... Muitos professores, apesar de concordarem com a escola inclusiva, não se dão conta que a falta de (in)formação pode conduzi-los a práticas educativas de exclusão que irão ter certamente repercussões não só a nível académico mas também social.

Valentina Cardoso disse...

Obrigada pelo cuidado.

Esta minha experiência na área das tecnologias tem estes problemas.... O domínio e diminuto ou nenhum..!!! Mas o desafio é grande e cá estou para tentar fazer melhor. Espero que desta vez o trabalho esteja acessível.

http://mind42.com/mindmap/c7e8ef32-96a1-40e7-86da-966213d19424

Entretanto e porque resolvi experiementar uma outra ferramenta que vocês propuseram, lá fiz um friso cronológico (ainda muito rudimentar...). Achei muito útil e com muitas potencialidades educativas.
http://www.dipity.com/valentinacardoso/perspetivas-sobre-a-deficiencia/

Bom trabalho

Paula Sousa disse...

Olá Ana Paula!

Concordo plenamente consigo. As atitudes do professor têm influência direta no processo de inclusão, pois elas determinam a maior ou menor aceitação por parte dos alunos em relação aos seus colegas com necessidades educativas especiais.

Paula Sousa disse...

Olá Maria de Fátima!

Concordo consigo. A Escola Inclusiva é uma paradigma educativo que se prevê benéfico para todos os alunos, com ou sem necessidades educativas especiais. Mas acredito que também o será para o próprio professor que abraçar este desafio.

anabelacampus disse...

Comentário sobre a temática:
Começando por fazer uma retrospetiva histórica da legislação sobre integração e inclusão da pessoa com necessidades educativas especiais no nosso país, retrocedemos a 1986 com a Publicação da lei de Bases do Sistema Educativo Português; Nos anos 90, destacam-se o Decreto-Lei n.º 35/90, de 25 de Janeiro e mais tarde o Decreto-Lei nº319/91. Nestes decretos, é visível a preocupação crescente com a integração efetiva de todos os alunos nos vários graus de ensino, bem como a tentativa de respeito pela sua verdadeira inclusão. Em 2001, os Decretos – Lei nº 6 e nº 7 de 2001 vêm definir o que são necessidades educativas de caráter permanente, em como definir categorias, e por fim o DL nº3/2008 que vem definir os apoios especializados a prestar na educação pré-escolar e nos ensinos básico e secundário dos sectores público, particular, cooperativo ou solidário; Este nosso conhecido decreto visa a criação de condições para a adequação do processo educativo às necessidades educativas especiais dos alunos com deficiências ou incapacidades bem como define os objetivos da educação especial. Assim, após tanta tentativa de sucesso para integrar e incluir a pessoa com NEE, seria um pouco injusto afirmar que as barreiras são legislativas.
As barreiras ao nível das atitudes, talvez sejam, na minha opinião, as que persistem para além de todas as medidas inclusivas que têm sido decretadas. Surgem à margem de um enorme esforço por parte das escolas públicas, para envolverem os alunos que apresentam necessidades educativas especiais.
A inclusão não se faz, assim, por decreto. Nós, educadores, somos uns dos principais agentes da mudança. Se todos nós tivermos o mesmo interesse e empenho na direção certa, chegaremos efetivamente a uma Educação para Todos.

Natalina Martins disse...

Natalina Martins 14 de Abril de 2014
A inclusão de alunos com Necessidades Educativas Especiais no Ensino Regular tem sido um tema bastante discutido. Apesar disso, a partir das discussões e reflexões já efetuadas pelos colegas, quer pela minha experiência pessoal, considero que há ainda muito a fazer para que a inclusão nas escolas seja efetivamente uma realidade.
Na minha opinião é necessário que se ofereçam infra-estruturas adequadas, mais qualificação da comunidade escolar em geral, ter uma equipa de professores, psicólogos, terapeutas entre outros especialistas em número suficiente para garantir o processo de ensino-aprendizagem e inclusão com qualidade. É necessária uma junção de esforços para que a sociedade aprenda a conviver com a diversidade humana, através de um processo amplo de mudanças de comportamentos e atitudes de toda comunidade escolar, para que a INCLUSÃO ocorra.
No meu entender, encontramos inúmeras barreiras que impedem que a política de inclusão seja realizada com sucesso. As dificuldades encontradas nos ambientes escolares, vão desde as más condições das estruturas físicas dos estabelecimentos de ensino ( há muito a fazer na parte arquitetónica), a falta de docentes especializados face ao número de alunos, a superlotação das salas,( o que dificulta uma atenção diferenciada aos alunos) bem como a adaptação de materiais (equipamentos, utensílios, tecnologias).
É necessário maior envolvimento de toda comunidade escolar, a colaboração das famílias e maior apoio das políticas governamentais.


Fatima Cunha disse...

Olá a todos!
De facto, os NEE devem ter uma vida como qualquer uma das outras pessoas e usufruir de todos os direitos que lhes assistem enquanto cidadãos. Os NEE devem ter acesso a escola regular com as adequações necessárias assentes numa pedagogia centrada no aluno. Na minha opinião, as barreiras prendem-se com a falta de vontade política para a inclusão dos NEE; as escolas inclusivas pressupõem existência de recursos, no entanto, as escolas não possuem recursos suficientes para dar resposta às necessidades dos NEE; as escolas não possuem pessoal especializado; os professores não estão preparados para lidar com perturbações do desenvolvimento, têm pouca formação nesta área; existem poucos ou nenhuns psicólogos nas escolas e quando existem é apenas um para centenas de alunos; existem poucos assistentes operacionais. Como é que a escola pode adotar uma cultura de inclusão se não existe o direito de igualdade de oportunidades e condições?
Os NEE precisam de mais educação e não o contrário! É preciso criar condições e recursos nas escolas! É preciso dar respostas específicas a estes alunos!

Paula Cristina de Almeida Costa disse...

Olá Ana Paula e Paula Sousa,

concordo convosco no que diz respeito à barreira humana, que não se verifica apenas por parte dos professores, mas também por parte de alguns pais e encarregados de educação. Aceitar uma criança diferente não deve ser fácil (esse era um dos medos que tinha na gravidez e que ainda não estou livre que me aconteça, enquanto mãe) e algumas vezes essa dificuldade é também reforçada pelos pais. O relato que faço foi único, mas aconteceu e marcou-me profundamente. A mãe de uma aluna que tive há uns anos, com paralisia cerebral, levantou a menina da cadeira, amparou-a, colocando-se atrás dela, e com as suas pernas empurrou as pernas da filha e disse-me: "vê professora a Ana é igual aos outros meninos e até anda sozinha". O respeito pela diferença nem sempre se consegue exteriorizar da melhor forma, e na minha opinião a muitos professores falta, nas formações iniciais, uma preparação mais efetiva para estas diferenças que surgem na sala de aula, e a alguns pais é também muito difícil aceitar e lidar com as diferenças dos filhos.

Maria de Fátima Pestana disse...

Boa noite,

Que barreiras parecem mais evidentes persistirem ao nível da educação ainda em 2014, após o longo percurso desde a exclusão total à dita inclusão?

Sem dúvida que aponto as barreiras atitudinais! São elas que fazem a diferença hoje em dia em cada sala de aula, e ultrapassam qualquer legislação.
Efetivamente, a inclusão não se faz por decreto, apesar dos normativos serem importantes na medida em que definem as ideologias e os princípios pelos quais a sociedade se rege. A lei de bases do sistema educativo, em Portugal, em 1986 dita que a escolaridade é obrigatória, gratuita e universal, durante nove anos... ora, este princípio define então que a escolaridade é para TODOS!
A partir daqui irão surgir os sucessivos decretos e normativos que vão regulando as condições de frequência de todos os alunos que são "obrigados" a frequentar a escola durante os ditos nove anos (que atualmente já vão em 12).
Desde a frequência em escolas especiais, à integração nas escolas regulares(ditada pelo decreto-lei 319-91) e atualmente à ambicionada inclusão iniciada pelo desp-conj. n.º 105/97 ao centrar nas escolas as intervenções colocando nelas o pessoal docente - que até então funcionava como uma equipa externa às próprias escolas -).
Atualmente todos os alunos frequentam as escolas regulares que deve proceder às adequações necessárias para os receber e constituir o lugar onde efetuam aprendizagens. Muitos fatores ambientais poderão ser mobilizados em função do perfil de funcionalidade do aluno com NEE. Efetivamente, em termos legislativos temos todas as condições para concebermos uma escola de todos com todos e para todos em que o aprender juntos favorece o desenvolvimento de todos.
Passando à prática, muitos entraves são diagnosticados e que passam por muitas questões que os colegas já colocaram e com os quais concordo:
- a formação dos docentes;
- a falta de recursos;
- a má gestão ao nível da redução das turmas com alunos NEE;
- a pressão dos resultados, ditados pelos exames;
- ...
Mas, e de acordo com a minha experiência, as barreiras ao nível das atitudes são as que maior impacto têm no desenvolvimento do quadro legal. Ainda persistem os paradigmas de uma escola tradicional, centrada na competitividade.
Reparamos que o maior critério de sucesso na inclusão de um aluno NEE em determinada turma passa pela atitude do corpo docente na aceitação desse aluno e no papel que o mesmo desempenha enquanto aluno e elemento dessa turma. Esse fator colmata muitas vezes a eventual falta de recursos que possa existir. Nas mesmas condições, vemos docentes a trabalhar e assumindo os alunos como parte integrante da turma para os quais têm que planificar a aula, e outros que não podem, não conseguem, não têm preparação...

A inclusão é pois um processo longo... é uma filosofia que deverá ser assumida por todos, sendo nós os professores os agentes de mudança!



Isabel Pedrosa disse...

Boa noite,
Não encontro o meu e-portfólio no Blendspace. Só vi que tinha de preencher um formulário de registo no sábado e registei-o nesse mesmo dia. Contudo já o tinha partilhado no dia 7 de Abril, tal como a minha apresentação.

fatima machado disse...

Pode-se demonstrar que com a utilização das TIC se impulsiona a inclusão e a igualdade de oportunidades para todos. Mesmo assim, ainda se debate e questiona porque é que a sociedade actualmente não está preparada para este desafio, por isso utilizando uma frase do Professor David Rodrigues “A educação Inclusiva não é uma pedra que se deixa escorregar, encosta abaixo, é uma pedra que, para chegar ao seu destino, persistentemente se empurra encosta acima”.
As TIC são uma ferramenta de apoio, para ser utilizada por todos os alunos nas actividades (didácticas, cognitiva, lúdica, entre outras) e que devem ser adaptadas às capacidades específicas de cada um dos seus utilizadores, podendo proporcionar oportunidades de sucesso educativo, uma vez que incentivam a motivação não só dos alunos mas de toda a comunidade educativa, num princípio marcado pela igualdade de oportunidades.
Fundamentalmente criaram-se alternativas ao método tradicional de ensino aprendizagem onde foi fator facilitador a ligação e o envolvimento dos docentes e das famílias no encontro de soluções. Acredita-se que está na escola e na formação de professores o início dessa transformação de atitudes e pensamentos.
Pode considerar-se toda a formação o começo de uma nova etapa que, terminada, pressupõe necessariamente continuidade de pesquisa e de aquisições de novos conhecimentos.
A partilha de ideias e experiências nesta formação estão a ser de uma grande riqueza e heterogeneidade, o intercâmbio de conhecimentos e de saberes é muito importante.

MOOC INCTEC disse...

Cara Isabel,
O seu e-portefólio é, neste momento, o nº 173 no Blendspace e a sua apresentação também está incluída no Pinterest.

paulacris disse...

Bom dia,

A propósito da presença de alunos com NEE junto da classe regular, José Morgado (in Rodrigues, 2011: 113) citando alguns estudos, demonstra que a presença de alunos com NEE em contextos de ensino regular parecem estimular as experiências e a qualidade das aprendizagens de alunos em risco escolar e social, bem como alunos com insucesso académico. Ainda acrescenta outros estudos em que “os programas de educação inclusiva promovem também mais eficazmente em todos os alunos o desenvolvimento de atitudes e valores positivos face à diferença e diversidade, fomentando pela interação verificada, a construção de atitudes de cooperação com impacto na formação e desenvolvimento pessoal.” (op. cit.) – de resto importará frisar que os contextos micro (dentro da sala de aula) terão uma influência nos contextos macro quando todos os alunos interagirem em sociedade e reproduzirem os modelos (bem sucedidos) da escola que frequentaram.

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Rodrigues, David (org), (2011). Educação Inclusiva – dos conceitos às práticas de formação. Lisboa: Instituto Piaget.

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bom trabalho,
Paula

lara mooc disse...

A definição da educação especial e de estratégias pedagógicas a adotar no ensino tem vindo a acompanhar nas últimas décadas as mudanças da sociedade no âmbito dos direitos do Homem. No entanto existem muitos obstáculos que podem ser referidos para não ser praticada uma educação inclusiva, ou seja, uma educação que se preocupe com o sucesso de cada um e de todos, mas, o maior obstáculo está na forma de pensar na e sobre a diferença. Algumas vezes deparamo-nos com a dificuldade na inclusão do aluno com NEE numa turma do ensino regular, os colegas discriminam estes alunos, fazendo comentários desagradáveis, muitas vezes dizem: “eu também quero um teste mais fácil”, “ eu também quero ter um professor só para mim”, “assim é fácil passar”, etc…

Paula Sousa disse...

Boa tarde!

Concordo quando refere que existe, por vezes, discriminação entre os pares. Mas onde está o papel do professor titular enquanto principal agente das mudanças que importam realizar no âmbito da escola inclusiva?

MOOC INCTEC disse...

OK, já está no Pintarest

Alexandra disse...

Boa tarde a todos, depois de ler tantas opiniões resta-me dar a minha, de quem não está no directo mas não deixa de ser sensível a este tema.
Para mim a maior barreira que existe é a humana. Tudo o que é desconhecido ou fora do padrão assusta. Nós estivemos muito tempo privados de viver com pessoas com incapacidades e/ou deficiências pelo que me parece que este processo ainda está muito no inicio. Se tivermos em conta que nem todas as pessoas têm o mesmo ritmo e o mesmo tipo de sensibilidade, a inclusão de todas as diferenças não corre ao ritmo ideal.
A outra grande barreira que existe é a arquitectónica, as ruas não estão feitas para cadeiras de rodas ou bengalas, os acessos por vezes são difíceis, os transportes também. É frequente também não haver indicações correctas para surdos (quando são audíveis).
Parece-me que tudo isto vai ser ultrapassado com o tempo. A ajuda das escolas e respectiva inclusão, bem como a grande dinâmica que o desporto adaptado tem tido vão ser duas chaves mestras para ajudar cada um de nós a olhar o outro de uma forma mais clara.
Cada um de nós e todos em conjunto podemos ir fazendo a diferença.



teresa forTIC disse...

Partindo do princípio de que educação especial e inclusão devem ser duas faces da mesma moeda, com vista a facilitar as aprendizagens e a inserção escolar e social dos alunos com NEE, em meu entender, continua a ser imperativo “trabalhar mentalidades”. De quem?
Com as devidas e felizes exceções, de ALGUNS…
- colegas professores, que continuam a não sentir estes alunos como seus e sim como meras presenças físicas na turma que, muitas vezes, “se entretêm, lá atrás, a fazer desenhos ou a pintar gravuras sem incomodar”;
- pais, que se demitem do seu papel de educadores e remetem para a escola a totalidade dessa responsabilidade, quando na verdade a deveriam com ela partilhar;
- pares, que encaram aquele/a colega como um ser “diferente”, que apenas faz parte da listagem da turma, pois não tem a maior parte das disciplinas devido aos seus “muitos problemas”;
- governantes, que assumem estes alunos como números para engrossar estatísticas de “aparente inclusão”, em turmas massificadas de 28 ou mais alunos, sem verdadeiramente lhes assegurarem os apoios e os recursos necessários;
- membros da sociedade, que dificilmente reconhecem competências a estes indivíduos para exercer uma atividade, sobretudo a nível laboral.
Por conseguinte, a responsabilidade é afinal de TODOS, pois, quer na família quer na escola, o objetivo principal deverá ser educar, potenciando as capacidades do aluno, já que em educação as diferenças devem ser sempre vistas como ponto de partida e não de chegada, de forma a podermos desenvolver estratégias e processos de aprendizagem adequados.

Paula Alves disse...

A informação, o conhecimento, a partilha...são algumas das ferramentas para a construção de uma sociedade mais inclusiva.
Este link é para uma conversa TED de Ami Klin experiente investigador na área das perturbações de espectro do autismo.
http://youtu.be/b-J8d1zfRIM
Uma partilha para o Pinterest.
Paula Alves

Milkyway disse...

Neste primeiro módulo, após ler os documentos disponibilizados, optei por incidir sobre a publicação "Educação Bilingue de Alunos Surdos - Manual de Apoio à Prática" e fazer uma cronologia. Para isso utilizei o TIKI TOKI.Achei bastante interessante este recurso!
Queria ainda agradecer a partilha dos outros formandos.
Desejos de uma Páscoa ótima para todos!
Um abraço,
Teresa Leite

Elsa Videira disse...

A atitude face à diferença vai influenciar toda a dinâmica de uma Escola Inclusiva.
A capacidade de todos os intervenientes agirem como agentes inclusivos vai determinar o acesso e o sucesso dos alunos.
Aplicar toda a legislação atual, adequar as práticas e procedimentos das áreas de instrução, da resposta dos alunos, do contexto, do tempo e do horário permitem igualdade no acesso durante a instrução e a avaliação.
Estas adequações e procedimentos destinam-se a reduzir ou a eliminar os efeitos da problemática mas não reduzem os conteúdos mas facultam o acesso ao currículo e o bem estar de todos.
Vamos Todos juntos lutar pelos Contextos Inclusivos por uma Escola Inclusiva que procura a Resposta Educativa para qualquer Aluno que a frequenta.

Anabela Triguinho disse...

Da minha experiência profissional de contacto com crianças e jovens com incapacidade e/ou deficiência, as barreiras que me parecem mais evidentes e que persistem são:
a) Falta de preparo e estratégias pedagógicas dos professores
b) Falta de recursos e meios nas escolas
c) Dificuldades no acompanhamento.
d) Inexistência de oficinas (carpintaria, atividades domésticas, culinária, informática…) nas próprias escolas, a fim de se proporcionar formação vocacional/profissional aos jovens com CEI e PIT.
e) A falta de recursos humanos afetos à escola (docentes de educação especial, terapeutas da fala, psicólogos).
f) A pouca colaboração e responsabilidade de alguns pais.
Também nos deparamos com outras barreiras, falta de recursos materiais, falta de recursos humanos afetos à escola (docentes de educação especial, terapeutas da fala, psicólogos). É essencial que se faça um acompanhamento mais constante ao aluno para que se verifiquem os progressos tão desejados.

Isabel Perdigao disse...

Olá colegas!
A inclusão educativa vem sendo discutida a nível internacional, desde há muito.
A Declaração de Salamanca foi publicada em 1994, resultante de uma conferência sobre Educação Especial promovida pela UNESCO é o grande marco para a Educação Inclusiva. A declaração incide sobre os princípios e práticas na área das Necessidades Educativas Especiais e propôs um conjunto de recomendações aos governos sobre as necessidades e a urgência de garantir uma educação às crianças, jovens e adultos com NEE, no quadro do sistema regular de educação.
Posteriormente, em 2008, o Ministério da Educação publica o Decreto-lei 3/2008, diploma de orientação para a Educação Especial, que impulsiona a matrícula de alunos com NEE na escola regular e estabelece as medidas educativas a adotar.
Pese embora, os princípios, políticas e medidas inclusivas que têm sido decretadas, em meu entender, persistem ainda algumas barreiras; falta de meios/recursos/formação, barreiras arquitetónicas e atitudinais que dificultam uma plena inclusão. A mudança de mentalidades/atitudes é fundamental e sem mudança que contribua para atenuar receios e dê segurança à implementação de novas práticas, dificilmente teremos uma escola de todos e para todos, uma escola que responda a todos os alunos independentemente das suas condições físicas, sociais, étnicas, religiosas, linguísticas, ou outras; que aceite as diferenças, que apoie as aprendizagens, promovendo uma educação diferenciada que responda às necessidades individuais.

Carla Silva disse...

Olá a todos,
Enquanto docente de Educação Especial (EE) não posso deixar de referir aquilo que sinto ao trabalhar no terreno.
Todos falamos em inclusão. Todos gostamos de referir que queremos uma melhor inclusão. Mas quando chega à prática tudo muda (infelizmente).
Muitas são as vezes que, enquanto docente de EE, me são pedidas coisas, umas vezes exigidas outras vezes camufladas, que não vão de encontro à tão afamada “inclusão”.
Ter um aluno com NEE dentro de uma sala de aula não é “pera doce”. E ou estamos todos predispostos a trabalhar para e com esse aluno ou a tal dita inclusão é transformada em diferenciação.
As turmas são cada vez maiores (mesmos as com redução de alunos ao abrigo da lei nº3/2008) e os comportamentos dos nossos alunos estão cada vez piores. Os docentes estão cada vez mais desmotivados com mais trabalho e menos dinheiro e, além disto, com muito pouca formação em EE. E no meio disto tudo aparecem os alunos com NEE que necessitam de um trabalho específico mas não diferenciado dos restantes.
O que se passa hoje em dia da nossa escola está longe de se poder chamar inclusão. Ao docente de EE é pedido que “alivie” o trabalho dos restantes colegas retirando o aluno o mais tempo possível da aula, trazendo consigo algum “remédio milagroso” ou ocupando-o ao fundo da sala sem perturbar os demais.
Não há tempo para planificar e pôr em prática atividades em conjunto. Os docentes têm cada vez mais alunos e cada vez menos tempo para trabalhar em parceria.
Concordo quando dizem qua a barreira humana é um grande impedimento para termos a verdadeira inclusão.
Mas neste momento sinto que tenho colegas com vontade de trabalhar a inclusão mas a máquina “escola” não deixa. As políticas educativas têm que mudar e têm que dar, sem dúvida, prioridade à educação de todos para todos. Dando, talvez, alguma regalias ao docentes que trabalham com alunos com NEE, por exemplo: menos carga letiva e mais carga no trabalho individual que permita o tão necessário trabalho de partilha e planificação entre professores.

Isabel Pedrosa disse...

Obrigada.
Devo estar com um problema no Mozilla Firefox , só consigo ver até ao nº147.

Antonia Espirito Santo disse...

Parte I
Numa perspetiva de desenvolvimento de boas práticas de inclusão, em 2000, Booth e Ainscow criaram um manual (traduzido para português apenas em 2002), o Índex para a inclusão: desenvolvendo a aprendizagem e a participação na escola, que analisa três grandes dimensões do desenvolvimento das escolas, relacionadas entre si: a cultura, as políticas e as práticas. Este documento faz um apelo às escolas para uma reflexão sobre si mesmas e para a introdução de mudanças importantes, implicando uma observação pormenorizada sobre a forma como se podem diminuir, em relação a qualquer aluno, as barreiras à sua aprendizagem e participação. Apresenta três conceitos-chave, de forma a facilitar a discussão sobre o desenvolvimento da educação inclusiva: (i) a inclusão, (ii) as barreiras à aprendizagem e à participação, e (iii) o apoio à diversidade (Booth & Ainscow, 2002).
No que concerne ao complexo conceito da inclusão, este: (i) envolve mudança; (ii) é um ideal a que todas as escolas podem aspirar mas que nunca será plenamente atingido; (iii) é um processo contínuo de desenvolvimento da aprendizagem e da participação de todos os alunos, entendendo que participação significa a aprendizagem em conjunto com os outros e a colaboração com eles em experiências educativas partilhadas; (iv) requere um envolvimento ativo na aprendizagem, pois tem implicações na forma como é vivido o processo educativo e (v) envolve o reconhecimento, a aceitação e a valorização de si próprio. Em suma, na conceção destes autores, a inclusão implica tornar as escolas lugares acolhedores e estimulantes, tanto para o seu pessoal, como para os seus alunos, constituindo comunidades que estimulam e comemoram os seus sucessos.
Com o conceito de barreiras à aprendizagem e à participação os autores pretendem apresentar uma alternativa ao conceito de necessidades educativas especiais (NEE), pois consideram que a situação não se resolve apenas com a identificação. A designação de NEE apresenta limitações consideráveis e confere um rótulo que pode conduzir a uma diminuição das expectativas, desviando a atenção das dificuldades dos alunos que não têm esse rótulo, mas que também as podem ter, e não atende a fatores ligados às relações pessoais, às culturas, às estratégias de ensino e de aprendizagem, assim como à organização e política da escola. Portanto, na sua opinião a manutenção de rótulos contribuí apenas para a fragmentação dos esforços feitos pelas escolas, na resposta à diversidade dos seus alunos.
Constatam ainda Booth e Ainscow (2002) que, embora a expressão necessidades educativas especiais constitua uma barreira ao desenvolvimento de práticas inclusivas, mantêm-se como parte integrante do quadro cultural e político das escolas. Para estes investigadores a utilização do conceito de “barreiras à aprendizagem e à participação”, em vez da expressão “necessidades educativas especiais”, faz parte de um modelo social, de uma forma de encarar as dificuldades na aprendizagem e as deficiências, contrastando com o modelo médico, segundo o qual as dificuldades educativas derivam de deficiências ou incapacidades da criança ou do jovem.
De acordo com o modelo social, as barreiras à aprendizagem ou à participação podem ser causadas por circunstâncias sociais e económicas que afetam as vidas dos indivíduos, e embora as escolas não possam fazer muito para ultrapassar as incapacidades podem diminuir consideravelmente as deficiências produzidas por atitudes discriminatórias, ações e barreiras institucionais. As barreiras à aprendizagem e à participação podem impedir o acesso à escola ou limitar a participação dentro dela, logo a sua minimização deve envolver a mobilização de recursos no âmbito das escolas e das suas comunidades.

Antonia Espirito Santo disse...

Parte II

Por último, o conceito de apoio à diversidade é um conceito mais alargado de apoio, considerando, como tal, todas as atividades que possam desenvolver a capacidade da escola em responder à diversidade. Considera-se assim que o apoio individual apenas constitui uma parte da tentativa de aumentar a participação dos alunos, e que o apoio preconizado pelo Índex está presente quando os professores preparavam as suas aulas, tendo em vista todos os seus alunos, reconhecendo os seus diferentes pontos de partida, experiências e estilos de aprendizagem, e quando os alunos se ajudam uns aos outros (Booth & Ainscow, 2002).

Booth, T., & Ainscow, M. (2002). Índex para a inclusão: Desenvolvendo a aprendizagem e a participação na escola. Sintra: Associação Cidadãos do Mundo. Consultado através http://redeinclusao.web.ua.pt/files/fl_79.pdf

Lurdes Martins disse...

Da minha experiência pessoal/profissional de vinte e quatro anos de contato com crianças, jovens ou adultos com incapacidade e/ou deficiência noto que, muitas vezes:
1. Os profissionais na área da educação:
• não estão preparados para lidar com a diversidade de alunos com que se deparam nas suas classes;
• acabam por dificultar a inclusão criando barreiras ;
• enumeram problemas comportamentais como justificação;
• dizem que não conseguem atender a todos os alunos;
• têm dificuldade em diversificar estratégias;
• desconhecem a legislação que se encontra em vigor ;
• têm falta de formação contínua;
• existe falta de recursos materiais;

• …
2. Os assistentes operacionais/tarefeiros:
• não estão sensibilizados para trabalharem com os alunos com NEE;
• não têm formação específica;
• não apresentam um quociente emocional para intervirem positivamente e com respeito por TODOS;
• ….
3. Os encarregados de educação/pais:
• ainda estão em fase de luto, não aceitando o problema do seu filho;
• criam barreiras aos profissionais;
• não ajudam a sua criança a crescer e a desenvolver-se;
• não fazem trabalho em equipa com todos os intervenientes no processo educativo dos seu filho;
• …..
4. Profissionais na área da saúde e de reabilitação
• não existe trabalho em equipa;
• intervenções separadas;
• não existe comunicação entre as diversas partes;
• pouco tempo para todos se sentarem e discutirem o que é melhor para o aluno;
• …
5. Os pares
• Necessitam de os aceitar e de os respeitar com toda a sua individualidade;
• Necessitam de crescer juntos;
• …

Por isso está na hora de identificar quais as barreiras que continuam a existir no processo educativo dos alunos e quais as condições que têm de ser criadas para que essas barreiras sejam neutralizadas;
Não devemos apenas criar as condições para que a criança/jovem/adulto frequente a escola regular, juntamente com os seus pares, mas tal como refere a Professora Manuela Sanches Ferreira, criar todas as condições para que os alunos com NEE estejam envolvidos e pertençam ao espaço da escola regular. Não podemos esquecer-nos que a qualidade desses contextos é também muito importante pois dessa qualidade dependerá o grau de envolvimento e de participação dos alunos.

micaela pereira disse...

Ler o seu comentário de que, enquanto mãe (e eu acrescentaria mesmo enquanto pessoa) enfrentamos medos, importante é recordar que a condição humana é mutável e que, de uma forma ou de outra, todos experienciamos face a face a definição de (in)capacidade.
Partilho aqui um testemunho de Emily Perl Knisley (1987), certamente conhecido por muitos de vós e que não poderia passar esquecido, visto que «viajar até à Holanda», pode constituir um caminho incontornável…

«Frequentemente sou solicitada a descrever a experiência de dar à luz uma criança com deficiência – uma tentativa de ajudar pessoas que não têm com quem compartilhar essa experiência única, a entendê-la e imaginar como é vivenciá-la.
Seria como...Ter um bebé é como planear uma fabulosa viagem de férias – para a Itália! Você compra montes de guias, faz planos maravilhosos. O Coliseu, o David de Miguel Ângelo, as gôndolas de Veneza. Você pode aprender algumas frases simples em italiano. É tudo muito excitante.
Após meses de antecipação, finalmente chega o grande dia. Você arruma as suas malas e embarca. Algumas horas depois você aterra. O comissário de bordo chega e diz: - "Bem-vindo à HOLANDA!"
"HOLANDA!?! " - diz você – "O que quer dizer com Holanda?? Eu escolhi a Itália! Eu devia ter chegado à Itália. Toda a minha vida eu sonhei em conhecer a Itália". Mas houve uma mudança no plano de voo. Eles aterraram na Holanda e é lá que você deve ficar.
A coisa mais importante é que eles não o levaram a um lugar horrível, desagradável, cheio de pestilência, fome e doença. É apenas um lugar Logo, você deve sair e comprar novos guias. Deve aprender uma nova linguagem. E você irá encontrar todo um novo grupo de pessoas que nunca encontrou antes. É apenas um lugar diferente. É mais baixo e menos ensolarado que a Itália. Mas, após alguns minutos, você pode respirar fundo e olhar ao redor... e começar a notar que a Holanda tem moinhos de vento, tulipas e até Rembrandts e Van Goghs. (…)
Mas, todos aqueles que você conhece estão ocupados indo e vindo da Itália... e estão sempre a comentar o tempo maravilhoso que passaram lá. E por toda a sua vida você dirá: "Sim, lá era onde eu deveria estar. Era tudo o que eu tinha planeado." E a dor que isso causa nunca, nunca irá embora... porque a perda desse sonho é uma perda extremamente significativa.
Porém... se você passar a sua vida toda remoendo o facto de não ter chegado à Itália, nunca estará livre para apreciar as coisas belas e muito especiais... sobre a Holanda.»

Todos queremos acreditar em realidades alcançadas, duvidamos se se tratam de utopias e fazemos emergir as nossas dúvidas existenciais…
Contudo, questiono-me sobre quantos conhecerão o seu significado de facto, pois todos sabemos que o futuro depende das ações presentes, mas que permanece escondido até dos homens que o fazem.
Resta-nos apenas acreditar que esteja realmente em curso um trajeto para a construção de uma educação, escola e sociedade que aspiram ser verdadeiramente inclusivas.

micaela pereira disse...

Rever os documentos sugeridos no módulo 1 e ler as múltiplas opiniões publicadas até ao momento, reafirma a existência de uma diversidade bem presente.
Trata-se de um facto inquestionável que, nas últimas épocas, se registaram excecionais progressos, não só ao nível das políticas, como também dos princípios pedagógicos e das práticas educativas.
A atualidade confirma em curso, um trajeto para a construção de uma educação, escola e sociedade que aspiram ser inclusivas, afastando tempos em que as pessoas com deficiência não tinham lugar na sociedade, sendo objeto de preconceito, discriminação, negação e injustiça social, longe do panorama das relações humanas.
O próprio Decreto-lei 3/2008 refere a palavra inclusão 6 vezes, mas será que promovemos ambientes inclusivos, na verdadeira aceção da palavra?
Juntar-se aos outros e fazer parte de um todo, constituem dois aspetos muito diferenciados. A presença da diferença nas escolas não certifica que um jovem (com ou sem NEE) faça parte do grupo, seja visto e se veja como um dos seus elementos.
Independentemente das aspirações inclusivas, impera acima de tudo, infelizmente, uma filosofia educacional de competitividade e de individualidade, sem o verdadeiro reconhecimento de que o sucesso de todos depende de cada um, onde a responsabilidade, a interdependência positiva e as competências sociais, surgem enquanto fruto de um processo natural.
Como prova evidente, verificamos o constante alargamento e a primazia conferida aos testes intermédios, às provas e aos exames finais.
As disciplinas diretamente envolvidas atuam em função de resultados, renegando para 2º plano o verdadeiro sentido de saber viver, em que nem sempre é fácil compreender vulnerabilidades/potencialidades, evitando juízos de valor e descobrindo a verdadeira natureza da pedagogia da aprendizagem.
Jean-Paul Sartre afirma que «o homem não é a soma do que tem, mas a totalidade do que ainda não tem e do que poderia ter». Estou deveras curiosa para ver o que a equação final nos reserva sobre a Educação Especial.
Só nos resta esperar que a genialidade esteja à altura (ou supere Einstein), num campo onde os valores inclusivos sejam reais e assertivos, apesar dos interesses e dos pontos de vista muito diferenciados…

MOOC INCTEC disse...

De facto o Blendspace leva algum tempo a carregar, pois está com um número muito elevado de ligações.
O Blendspace foi concebido para planificar aulas, juntando diversos tipos de documentos em mosaico.

MOOC INCTEC disse...

Estão os dois visíveis e já se encontram no Pinterest.

Nuno Correia disse...

A inclusão é um tema importante, que tem sido debatido ao longo dos tempos. O termo em si reveste-se de uma certa beleza social.
As batalhas ganhas com a Declaração de Salamanca procuraram mudar mentalidades e obrigar as instituições a alterar as suas políticas inclusivas.
Será que as mudanças foram assim tão profundas? Será que existe a integração plena? Será que a inclusão realmente existe?
Começo por salientar que um programa inclusivo reveste-se de complexidades extremas e a nossa sociedade não está preparada para cortar com os valores instituídos.
O complexo mundo do ensino catapulta muitas vezes a integração para um plano banal, injustificado e sem sentido. Existem metas a cumprir, indisciplina a tratar, exames a realizar, rankings a manter e custos a reduzir.
Quem trabalha diariamente com alunos possuidores de nee compreende como está a decorrer a integração das crianças nas nossas escolas.
Quantos alunos, em média, tem um professor de Educação Especial? Quantos processos conhece? Muitos, muitos e muitos. Mas que acompanhamento é feito a esses alunos, que medidas recebem, que contacto têm esses professores com eles??? Na realidade, muitos desses professores não têm uma única hora letiva semanal de trabalho efetivo com eles, estão presentes nas reuniões, acumulados em processos, mas trabalho em campo… nada.
O caminho da Educação Especial está a ser preparado por equipas especializadas que pretendem, com metade dos professores existentes, fazer um trabalho perfeito - Utopia.
As lutas travadas estão a esfumar-se, simplesmente por causa de uma sociedade economicista, que vive da imagem, da arrogância e não se preocupa verdadeiramente em incluir.

lara mooc disse...

Boa tarde!
Com turmas tão heterogéneas e grandes por vezes o seu papel passa despercebido. Bem sei que não é isto que queríamos ouvir, mas a realidade é esta.

Susan Martins disse...
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Susan Martins disse...
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Bárbara Ferreira disse...

Será que a “bandeira” da inclusão tira oportunidades a algumas crianças e jovens?
Penso que por vezes (em casos graves), esta é levada ao extremo, sem que se avalie e considere as reais competências e necessidades dos alunos. Muitos destes, apesar dos esforços dos professores, técnicos e comunidade educativa, devido aos défices inerentes ao quadro que apresentam, não conseguem usufruir das experiências proporcionadas pelo modelo da escola inclusiva. Nestes casos, talvez fosse mais importante permitir o desenvolvimento (em outras instituições ou idealmente em núcleos especializados dentro das escolas) de competências que no futuro lhes permitissem enquanto jovens e adultos, usufruir de uma “verdadeira inclusão” na sociedade e não apenas na comunidade escolar. Não é este o último objectivo da passagem de qualquer criança com ou sem deficiência pela escola?
Mas isto claro, nunca separando estas crianças do convívio e interacção com os seus pares.

Jéssica Viana disse...

Considero que a verdadeira inclusão ainda está longe de acontecer.
A barreira humana ainda não foi ultrapassada, existindo ainda um longo caminho a percorrer, de forma, a que se mudem mentalidades e posturas face às NEE (neste aspecto incluo membros da comunidade em geral, educação, saúde e governo).

Gostaria ainda de salientar dois aspectos:
A Declaração de Salamanca refere que se deve “… garantir que, no contexto duma mudança sistémica, os programas de formação de professores, tanto a nível inicial como em-serviço, incluam as respostas às necessidades educativas especiais nas escolas inclusivas.” Penso que os passos dados a este nível ainda foram escassos. Enquanto técnica de diagnóstico e terapêutica identifico esta como uma lacuna transversal às áreas de saúde e educação.
Por último é importante referir que os governos se escondem atrás de leis como o D.L. nº 3/2008, 7 janeiro, para defender as suas decisões mas no entanto não entende verdadeiramente os princípios e pressupostos que estiveram na base da sua criação.

ana disse...

Apesar da legislação existente, o que existe por vezes é um acolhimento dos alunos com necessidades educativas especiais e não uma inclusão. No entanto, considero que existem bons exemplos e práticas a imitar/adoptar de uma forma mais generalizada.
Para garantir inclusão na verdadeira assunção da palavra devemos todos colaborar para melhorar:
- infra-estruturas;
- acessibilidade aos materiais e recursos;
- recursos humanos;
- formação (do pessoal docente, não docente e profissionais de saúde);

Outro problema que vai muito além da área das NEE, mas que também abrange as restantes áreas da educação é a excessiva burocratização dos processos que leva à construção de planos educativos com carácter muito rígido e nada flexíveis, estes por vezes não permitem aos professores e restantes profissionais envolvidos o ajuste constante às necessidades das crianças, pois não consideram o carácter mutável das mesmas, bem como do próprio meio que exige a estas crianças coisas diferentes todos os dias.

Sofia Gargalo disse...

Peço imensa desculpa,
Aqui vai a minha apresentação. No fim das reuniões de avaliação, consegui organizar-me para fazê-la.
Espero que gostem.
http://prezi.com/bg_kkpmv4cgn/copy-of-copy-of-fun-template/

Luísa Subtil disse...

Da minha experiência profissional tenho encontrado muitas escolas que embora defensoras da inclusão dos alunos com necessidades educativas, vejo ausência de rampas com inclinações adequadas/elevadores, acesso de balneários muito dificultados (portas de larguras inadequadas, espaços muito reduzidos, ausência de sanitários adaptados…), barreiras arquitetónicas ignoradas ou falta de meios de comunicação adaptados para aqueles que são portadores de dificuldades visuais, ausência ou recursos muito escassos de instrumentos/materiais adequados para o processo de ensino e aprendizagem destes alunos, número reduzido de professores de educação especial, terapeutas, psicólogos, não contando com a falta ou má gestão dos recursos económicos disponibilizados para estas crianças.
Denoto por vezes e contra mim falo, falta ou poucos conhecimentos por parte da equipa profissional que trabalha com estes alunos, nomeadamente dos assistentes operacionais, e professores que não sabem o que é um programa educativo individual e de como o devem elaborar e pouco conhecem sobre o Decreto-lei nº3/2008, de 7 de janeiro.
Compreendo que muitas vezes pode não ser por falta de não querer esta inclusão que se vêm estas barreiras pessoais e arquitetónicas, mas da ausência do conhecimento das barreiras ou da consciência das dificuldades que estas crianças e encarregados de educação enfrentam no seu dia-a-dia. É necessário que estes se manifestem, que reclamem pelo que necessitam, que não se acomodem perante os fracos recursos que o ministério da educação defensor na inclusão lhe oferece. Eles têm os seus direitos, têm o direito à educação e para isso precisam que lhe sejam fornecidas as condições necessárias e adequadas para fazer que este processo de ensino e aprendizagem lhes seja proporcionado da melhor maneira possível.
Penso que a direção de escola ou de agrupamento de escolas devem proporcionar e promover a formação destas equipas profissionais que trabalham com estas crianças, devem ir ao encontro dos interesses destas crianças e destes encarregados de educação, fomentando uma partilha de diálogo, de experiências entre técnicos de saúde, da segurança social, autarquia local e famílias. Sublinho que cabe a nós professores/educadores defensores de um profissionalismo totalitário procurar conhecimento para saber responder da melhor maneira possível às necessidades destas crianças e famílias que servimos.

Paula Sousa disse...

Obrigada Micaela por partilhar esta história! Certamente que ninguém está preparado para quando a vida nos indica um caminho diferente. Cada caso é um caso. Cada um percorrê-lo-á a seu tempo, a seu ritmo... Apenas gostaria de acreditar que nunca será uma caminhada solitária quer para pais quer para professores.

Paula Sousa disse...

Olá, boa noite!

De facto, as turmas nunca foram tão heterogéneas como nos dias de hoje, o que representa simultaneamente um esforço e um desafio acrescido para o professor.

No entanto, penso que devem existir momentos de diálogo com a turma para evitar as situações de discriminação que referiu. Este é, na minha opinião, um dos papéis do professor na escola inclusiva.




Paula Sousa disse...

Mas também sei reconhecer que a realidade ainda se distancia do idealmente desejado...

Teresa Guardão disse...

Não tenho dúvida de que hoje em dia, embora ainda pesem bastante as carências existentes no sistema, os alunos com necessidades educativas especiais recebem uma educação mais adequada às suas características do que acontecia há vinte anos atrás.
O Decreto-Lei 319/1991, criou as condições para que cada aluno beneficiasse, pela primeira vez, de um programa educativo individual (PEI) ajustado às suas capacidades e apetrechou algumas escolas com recursos até aí inexistentes, no entanto a integração para a maioria dos alunos com NEE não passou do papel. Os casos mais problemáticos ficaram confinados aos ambientes redutores das instituições e os que se mantiveram nas escolas do ensino regular encontraram muitas dificuldades. Poucas foram as vantagens que na prática permitiram fazer um percurso em meio favorável para o desenvolvimento da personalidade das crianças em idade escolar. Poucos foram os que conseguiram atingir os objectivos que os pais realmente envolvidos e empenhados quiseram traçar com os professores. A integração tão proclamada não desfez os tabus duma sociedade ainda mal adaptada à mudança e a segregação continuou a ter grande visibilidade.
Em 1994, a Declaração de Salamanca veio promover a educação para todos e incrementar a necessidade de capacitar as escolas para atender todas as crianças, sobretudo as que apresentassem necessidades educativas especiais. Investiu-se na formação dos professores, apetrecharam algumas escolas e sobretudo as instituições (IPSS). Os pais receberam, como nunca antes tinha sido possível, informações sobre a problemática dos filhos e sobre os meios pedagógicos para alcançarem o sucesso escolar e pessoal dos educandos com NEE.
A publicação do Decreto-Lei 3/2008 veio melhorar as condições educativas e finalmente promover a inclusão de todos os alunos no ensino regular. As tecnologias vieram facilitar o acesso ao currículo comum, principalmente aos alunos com deficiências sensoriais de baixa incidência (cegos e surdos profundos).
Os docentes de EE têm procurado os benefícios que as TIC proporcionam em prol de melhores condições de ensino, na tentativa de que os seus alunos consigam acompanhar o ritmo de aprendizagem da turma onde estão inseridos.
A inclusão está longe de ser conseguida em todas as escolas mas é cada vez mais visível nos ambientes escolares onde o corpo docente não tem de lutar contra barreiras de toda a natureza que se lhes colocam no dia-a-dia, tais como: turmas grandes, pouco tempo de apoio de EE, falta de recursos materiais, pouca informação sobre a problemática e as estratégias adequadas de ensino,… Concluo dizendo que me parece que o fator humano determina o sucesso do ensino de todos quando em termos legislativos já estão criadas as condições.

Conceicao Durao disse...

Aqui vai a partilha da nossa apresentação, relativamente à atividade proposta no Tópico 1: http://prezi.com/zib1a-7osoaw/?utm_campaign=share&utm_medium=copy&rc=ex0share

Esperamos que corresponda ao desejado.

Maria de Lurdes Martins Martins disse...

Em primeiro lugar foi com grande entusiasmo que li os comentários colocados neste fórum, na generalidade concordo com eles, sendo fácil constatar que estamos entre pessoas habituadas a lidar com os constrangimentos associados ás dificuldades em implementar as respostas adequadas a cada criança com NEEcp.
Relativamente à minha vivência com esta realidade constato que as barreira são múltiplas e dependem de vários factores a saber:
- dificuldades acentuadas no processo de referenciação das crianças. Se os pais têm meios económicos que lhes permitam ter acesso à medicina privada e a relatórios médicos bem fundamentados os processos avançam dentro da normalidade, se os pais não têm meios ou estão desempregadas, temos crianças com problemas muito graves que necessitam de acompanhamento médico especializado e medidas de ensino especial adequadas mas que esperam anos por consultas nos hospitais públicos, vivendo verdadeiras situações de sofrimento e incompreenção pela comunidade educativa onde se inserem mas como não há relatórios externos não há referenciação. Já me aconteceu contatar telefonicamente médicos do Hospital pedindo ajuda para crianças que necessitam sendo-me respondido que a escola deve ter os meios de resposta para avaliar e referenciar e ou seja cada um empurra para seu lado.
Ainda no âmbito da referenciação nem sempre conseguimos implementar as medidas adequadas, uma vez tudo depende da sensibilidade do diretor que de forma direta interfere nas medidas a implementar;
- depois de definidas as medidas adequadas ao aluno chegam as dificuldades de implementação, existe uma grande resistência à implementação de pedagogia diferenciada, as adequações curriculares são apenas uma formalidade, na prática raramente são implementas, as adequações no processo de avaliação são outra ficção, não basta tirar uma ou duas perguntas ou fazer uma cotação diferenciada... se não se vai ao encontro das capacidades do aluno este não sente que consegue e entra numa espiral de desmotivação. Os Professores necessitam de formação para poder compreender o que são necessidades educativas especiais e agir em conformidade. As turmas têm muitos alunos o que também dificulta o seu trabalho.
- os alunos com falta de mobilidade não têm as respostas adequadas, limitam-se a ter aulas no rés-do-chão;
- ainda em termos de acompanhamento médico muitos alunos tomam medicação só passada pelos pedopsiquiatras sendo por vezes as consultas adiadas e demorando os medicamentos a chegar com as consequências que daí advêm.
Isto não é um muro de lamentações e confesso que embora não pareça sou até muito otimista. Gosto muito dos meus alunos tenho com eles muita empatia tenho que ter muita inteligência emocional para conseguir o que necessitam. Não basta que passem de ano e importante que trabalhem as suas capacidades e que sejam pessoas ativas na sociedade contudo muitas vezes é mais fácil para a escola fazê-los avançar depressa para se livrar de um problema, isto não é inclusão ......

Daniel Geraldo disse...

Olá a todos…
A minha experiencia na temática da inclusão ainda não é muito vasta, no entanto, nas escolas por onde tenho passado parece-me que a questão da inclusão ainda não existe, ou seja, contínua a ser uma utopia. Tenho tido alguns alunos com NEE, em que o apoio tem sido realmente pouco, ou quase inexistente.
Tal como o colega José referiu, na maioria das escolas (1º ciclo, onde exerço atividade), os alunos que conferem redução de turma são aqueles que passam mais tempo na turma, por vezes parece que o interesse da criança não e suficiente.
No entanto é de salientar que me encontro noutras escolas onde realmente existe inclusão e os esforços por parte da comunidade escolar são gigantes para conseguir com que estes alunos têm acesso à aprendizagem de igual forma.
Quanto ao DL 3/2008, confesso que me suscita algumas dúvidas aquando da sua leitura, e na minha opinião, parece-me que em relação à educação especial, parece não haver evolução, para não afirmar que existe retrocesso.
E concordo com as colegas quando referem que continuam a existir muitas barreiras, o que leva a caminhar-se ainda mais devagar nesta questão.

Cidália Araújo disse...

A colega tem razão, deveria ter usado o conceito Dificuldades de Aprendizagem Específicas, que são um tipo de NEE de carácter processológico, consideradas NEE permanentes.

Carlota Dias disse...

O que é a inclusão? Existe inclusão em pleno? Existirá uma definição única e suficientemente abrangente? Estas são algumas das questões para as quais ainda procuro resposta... Todavia, o DL3/2008 encerra sem dúvida um carácter inclusivo, mas será que o cumprimos na integra? Citando o Professor David Rodrigues "estamos a caminho da inclusão". Acredito que se trata de um processo, longo e moroso mas estamos a caminhar e, é assim que interpreto o universo do meu quotidiano... Sem dúvida que desde a Declaração de Salamanca até à atualidade já evoluimos bastante, mas muito há por fazer...

Isabel Pina disse...

Não posso perder a oportunidade de dizer que fiquei deveras satisfeita com o comentário da colega Maria de Fátima Martins . Penso exatamente dessa forma, relativamente à inclusão educativa.
Infelizmente os meus alunos não têm a possibilidade de dar o seu parecer, mas ouvindo colegas seus a dizerem precisamente o que venho defendendo junto da comunidade educativa, dá-me a certeza que a sintonia existe....Valeu!

Isabel Pina disse...

Fico contente por saber que em Cabo Verde se está a caminhar no bom sentido. De facto quando a legislação existe. existe também maior legitimidade em reclamar. Estou certa que a colega vai lutar pelos direitos que estes cidadãos têm e contribuir, mesmo que num universo pequeno, para marcar a diferença...

Ana Paula Carlos disse...

Olá,

A minha experiência pessoal e profissional de contacto com pessoas com incapacidade e/ou deficiência tem-me apresentado barreiras que se evidenciam de formas mais ou menos persistentes e mais ou menos surpreendentes.
Os obstáculos podem ser arquitetónicos ou atitudinais. O desaparecimento dos primeiros depende do articulado legal e do seu cumprimento. São os obstáculos atitudinais que, embora de formas cada vez mais subtis, continuam a interferir com a justiça social e com a formação das crianças e jovens. Compreendem posturas afetivas e sociais e traduzem discriminação e preconceito. Acredito que a chave para minimizar e erradicar estas barreiras reside na educação.
A história de exclusão da pessoa com deficiência remonta aos primórdios da humanidade e há ainda quem procure esta premissa para explicar a existência de barreiras atitudinais ainda hoje praticadas contra essas pessoas ou para justificar a manutenção de um modelo educacional segregador. Na verdade “não é a distinção física ou sensorial que determina a humanização ou desumanização do homem. Suas limitações ou ilimitações são determinadas social e historicamente” (BIANCHETTI e FREIRE, 2004, p. 66).
Em junho de 1994, com a Declaração de Salamanca, preconizou-se a educação inclusiva. Contudo, nem isso, nem o facto de se ter passado a reconhecer os indivíduos com deficiência como pessoas, foi suficiente para derrubar barreiras atitudinais que dificultam o ingresso e a permanência de crianças com deficiência nas escolas.
O ato de incluir não se refere apenas às pessoas com deficiência, mas a todos os grupos vulneráveis, a todas as pessoas, enfim, a toda a sociedade. O objetivo não é restringir, mas acolher a singularidade de cada indivíduo.
Cada pessoa, independentemente da deficiência ou da incapacidade que apresente, é um sujeito social com conhecimentos preexistentes e expetativas.
As barreiras atitudinais marginalizam a pessoa com deficiência, negam-lhe a identidade humana e condicionam as possibilidades de desenvolvimento e de relação social.
Importa estar atento e promover o reconhecimento das barreiras atitudinais, para que, pela transformação individual, se alcance a efetiva sociedade inclusiva pois a “inclusão é uma visão, uma estrada a ser viajada, mas uma estrada sem fim, com todos os tipos de barreiras e obstáculos, alguns dos quais estão em nossas mentes e em nossos corações” (MITTLER, 2003, p. 21).

________________________________
Referências bibliográficas
BIANCHETTI, Lucidio e FREIRE, Ida Mara (orgs). Um olhar sobre a diferença: Interação, trabalho e cidadania. 6ª ed. São Paulo: Papirus, 2004.
MITTER, Peter. Educação inclusiva: Contextos sociais. Porto Alegre: Artmed, 2003.

Isabel disse...

Olá a todos,
Trabalho num centro escolar onde está inserida uma UAAM. Além de apoiar alunos da Unidade, apoio alunos inseridos em turmas do 1º ao 3º ano. É impressionante a desinformação (e mesmo ignorância) de alguns colegas do 1º ciclo relativamente à Educação Especial. As barbaridades que tenho testemunhado são assustadoras: desde o desconhecimento das normas legais do decreto-lei nº 3/ 2008 de 7 de janeiro à tomada de posições sem considerar o perfil de funcionamento dos alunos com NEE, assim como o parecer da equipa que acompanha cada aluno, nomeadamente todos os intervenientes que integram o PEI de cada aluno (professor de educação especial, terapeutas, encarregados de educação, …).
A Inclusão das crianças e jovens com NEE é responsabilidade dos professores que os acolhem nas escolas, o que faz deles professores inclusivos. Porém, sendo ainda inexistente a formação adequada e contínua (e também obrigatória) de todos os professores que trabalham com alunos com NEE, importa refletir sobre o perfil dos professores inclusivos.
A Agência Europeia para o Desenvolvimento da Educação Especial elaborou um documento que aborda esta temática, Formação de Professores para a Inclusão - PERFIL DE PROFESSORES INCLUSIVOS, e onde identifica quatro valores fundamentais, relacionados com o ensino e a aprendizagem, para o trabalho de todos os professores em contextos inclusivos:

1. Valorização da diversidade – a diferença é considerada um recurso e um valor para a educação;
2. Apoiar todos os alunos – os professores têm elevadas expectativas sobre os resultados a atingir por todos os alunos;
3. Trabalho com outras pessoas – colaboração e trabalho em equipa são metodologias essenciais para todos os professores;
4. Desenvolvimento profissional e pessoal – o ensino é uma atividade de aprendizagem e os professores assumem a responsabilidade pela sua aprendizagem ao longo da vida.
Neste sentido, o acesso ao ensino regular, só por si, não é suficiente; participação significa que todos os alunos estão envolvidos em atividades de aprendizagem que sejam significativas para eles. O professor tem uma influência fundamental sobre a autoestima dos alunos e, consequentemente, sobre o seu potencial de aprendizagem; os alunos aprendem de maneiras diferentes e estas podem ser utilizadas para apoiar a sua própria aprendizagem e a dos seus pares; as expectativas dos professores são um fator determinante do sucesso e, portanto, é fundamental ter expectativas elevadas relativamente a todos os alunos. O professor deverá ser um comunicador eficaz, a nível verbal e não-verbal, que responde às necessidades dos alunos, pais e outros profissionais; ver a comunicação e a colaboração com os pais e as famílias como sua responsabilidade.
Importa, pois, que todos os professores adotem uma postura aberta, positiva e colaborativa, não esquecendo que a reflexão das suas práticas pedagógicas deverá ser uma constante do seu-dia-a-dia.

Cumprimentos,
Isabel Vilaça

Margarida Piedade disse...

Bom dia!
A propósito das pesquisas que fiz para este módulo, verifiquei que, efetivamente, a política de inclusão no e do nosso sistema educativo é recentíssima... Na minha prática pedagógica comecei há pouco tempo a ter contacto com a deficiência e mostra-se um grande desafio a inclusão real. Tenho a sorte de trabalhar numa escola pequena do ensino particular e cooperativo onde algumas das barreiras sentidas e referenciadas anteriormente pelos colegas não se colocam: a nível da gestão há grande flexibilidade; os docentes são na sua maioria abertos a novos desafios; a relação dos pais com a gestão da escola e com os professores titulares/DTs é boa e fácil... Onde sentimos mais dificuldade? Onde paramos muitas vezes é face a políticas e flexibilidade curricular. No entanto creio, com muita convicção, que este é um dos enormes passos que todos daremos para chegarmos mais além e começarmos a ser uma das pedras basilares para fazer ouvir a voz da inclusão efetiva!
Bom trabalho a todos!

Jorge disse...

O meu trabalho deste módulo: http://incjorge.blogspot.pt/2014/04/modulo-1-politicas-inclusivas-e-medidas.html

MOOC INCTEC disse...

Já está incluído no quadro do Pinterest referente às atividades do Módulo I. Uma boa síntese dos modelos e evolução das perspetivas sobre deficiência/ alunos com NEE .

MOOC INCTEC disse...

Cara Sofia,
Já foi incluída no Pinterest. Falta o e-portefólio (criativo) que deverá partilhar na página de Introdução e registar no respetivo formulário.

Elisa disse...

Após a leitura a audição dos documentos aqui facultados e de alguns dos contributos dos colegas de curso, fiquei agradavelmente satisfeita ao verificar que afinal não sou só eu, nem somos poucos, os que não entendem ou não gostam do que se vê ou ouve diariamente nas nossas escolas, relativamente às crianças ou jovens com necessidades educativas especiais. Nestes testemunhos identifico-me com algumas das preocupações, dúvidas e questões apresentadas. Por agora vou só falar de uma das tarefas que muito me angustiam e que neste momento me tem vindo especialmente a preocupar.
No trabalho como docente de educação especial, mais precisamente quando se procura uma resposta adequada ao perfil de um determinada aluno, muitas vezes somos colocados em situações e tomadas de decisão sem grandes certezas … muitas duvidas persistem, incertezas, e a busca para uma resposta adequada bate muitas vezes no “muro de betão” de práticas educativas cristalizadas e bastante enraizadas no dia a dia de uma escola, de respostas que são generalizadas, de não respostas, etc..
A fase final da avaliação, quando se define a tal “elegibilidade”, com todas questões que comporta, (a propósito alguém me sabe dizer se a CIF –CJ já foi devidamente aceite e publicada ou ainda está no prelo?) por vezes acarreta momentos de angustia quando damos conta que se poderá estar a usar uma possível entrada no Dec lei 3/2008 como um remediador, porque o sistema educativo não funciona como deve ser; se se fizesse o que o aluno precisava desde cedo (com recurso à diferenciação, a um acompanhamento especifico, com um apoio em métodos de estudo, etc..) a criança ou jovem não chegaria a uma diferença tal dos seus pares, (ainda que tenha um défice de atenção, alguma dificuldade cognitiva no processamento e/ou na memória…). Será que a minha resposta deverá ter em conta o que o aluno precisa realmente ou só posso apontar como resposta entre aquilo que existe??? Isto às vezes não chega e lá continuamos a nossa procura de, o mais acertadamente possível, arranjar soluções para problemas que não são dos alunos mas sim da escola ou da educação em geral.

Marília Pereira disse...

Colega Amélia
Em abril de 2013 foi publicado o Despacho 5048-B/2013, que regulamentou as matrículas e também orientou quanto à constituição de turmas, referindo o seguinte relativamente às turmas com alunos com NEE: "As turmas que integrem alunos com necessidades educativas especiais de carácter permanente, cujo programa educativo individual o preveja e o respetivo grau de funcionalidade o justifique, são constituídas por 20 alunos, não podendo incluir mais de 2 alunos nestas condições." (Ponto V, atigos 18º, 19º e 20º). Este remete para o perfil de funcionalidade do aluno como fundamentação da necessidade de integrar uma turma reduzida, e não o tipo de medidas adotadas.

Marília Pereira disse...

Concordo com a opinião da Maria de Fátima.
No contexto de uma escola inclusiva, considero que é benéfico para os alunos com NEE estarem integrados nas escolas de ensino regular. A minha experiência permite-me observar que, com os apoios e recursos adequados, estes beneficiam com a frequência de uma escola regular. O contacto com os colegas permite-lhes o desenvolvimento de competências que, frequentemente, não são possíveis noutros contextos mais restritivos e contribuem para o desenvolvimento de valores como o respeito pela diferença, a tolerância e a cooperação junto de todos os colegas.
No entanto, devemos considerar sempre o perfil de cada um destes alunos e o grupo etário a que pertencem. Nalguns casos, ao ingressar no 3º ciclo, alguns alunos que apresentam limitações mais acentuadas, têm maior consciência quanto às suas diferenças relativamente aos colegas do seu grupo de pares, e por vezes isolam-se e já não gostam de ir à escola, ou procuram outro grupo de referência, se existir na escola.

Andreia Branco disse...

Boa noite, eu como professora de 1.º ciclo e de uma turma tenho essa experiência no que concerne a uma escola inclusiva. Concordo que uma turma reduzida tanto beneficia um aluno com N.E.E como a restante turma. Embora nem sempre é a realidade. Por exemplo no meu caso eu tenho 27 alunos na minha turma, três dos quais são alunos diferentes (microcefalia, síndrome de Down e paralesia cerebral). Normalmente a aluna com síndrome de down e a de paralesia cerebral têm sempre uma docente a acompanhar contudo o aluno da microcefalia está sozinho com a turma apenas têm acompanhamento pouco tempo por dia. Eu como professora curricular tento dar o meu apoio e fazer atividades em que eles estejam o máximo inseridos mas como uma turma tão grande é muito difícil. Por isso estas turmas deviam ser sempre reduzidas, devia ser regra obrigatória para que eles possam ter o máximo de apoio de um professor da curricular. É claro que eles têm um programa próprio mas eu no meu caso tento promover o máximo a inclusão deles fazendo que participem ativamente e que participem nos diálogos propostos.
E quando as colegas dizem que falta formação, é verdade o nosso curso não nos dá a formação mais adequada para promovermos uma escola inclusiva. Mas cada professor e no tempo que decorre deve promover e frequentar todo o tipo de ações de formação a fim de melhorar e promover o sucesso/ integração de toso os alunos. Neste momento e desde que começou a falar numa escola inclusiva tem surgido um grande leque de formações, umas melhores do que outras, mas cabe a cada um selecionar a melhor.

Cumprimentos,

Andreia Branco

Carla Santos disse...

Boa noite,

sobre os alunos de CEI tenho a informar que na minha área de residência, Vila Nova de Gaia, todos os alunos com CEI, com mais de 15 anos têm a oportunidade, no âmbito do Centro de Recursos para a Inclusão, de frequentar cursos da Formação Profissional (ajudante de carpintaria, ajudante de lavagem-auto, ajudante de eletricista, ajudante de lavandaria, ajudante de cozinha, ajudante de serígrafo) ou, então, frequentar grupos (Têxteis, Arraiolos; Atividades de Vida Diária, Artes Decorativas, Jardinagem, etc) do Centro de Atividades Ocupacionais de forma a efetuarem uma verdadeira transição para a vida ativa. Com uma frequência semanal destes cursos/grupos, os alunos das escolas regulares podem ser avaliados em contexto de trabalho e definirem, dessa forma, o seu futuro.
Considero esta medida bastante importante no desenvolvimento do Plano Individual de Transição dos jovens que estão a terminar a escolaridade obrigatória. É, de facto, uma mais-valia para as escolas deste concelho e não só, porque acredito que há outras instituições acreditadas como Centro de Recursos para a Inclusão que disponibilizam esta medida no Plano de Ação que anualmente apresentam aos agrupamentos/escolas não agrupadas do local onde se inserem.

Sofia Oliveira disse...

É realmente um texto para refletir, mostra o caminho que as famílias com crianças especiais têm que percorrer. Quando se "planeia" uma gravidez, sonhamos com o bebé, de que cor serão os olhos, o sorriso igual ao da mãe ou ao do pai?, montes de projetos são efetuados. E quando chega o dia, e o nasce o bebé não esperado, a família fica sem chão... Mas precisa de levantar a cabeça, olhar em frente e usufruir de tudo o que essa criança lhe pode dar. Não pode ficar a pensar no destino pretendido, tem que desfrutar do destino final. Obrigada por este lindo texto...

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